Diana, em sua carteira, terminava a prova de literatura na sala de aula. Sentia-se cansada do esforço da noite passada. A lua cheia sempre é um problema para ela. Ficava cada vez mais difícil escapar de sua influência. Thiago ficou no apartamento, bolando um plano para invadir a dimensão de Anônimo e descobrir suas pretensões. Melissa esperneou, inutilmente, para que a levasse à escola. Kamila mal olhava a folha do teste. Fitando a parede, distraía-se pensando nos reais sentimentos de Thiago por ela.
– Er... Professora? - um dos alunos se levantou.
– O que foi? Terminou? - falou a mulher.
– Não, senhora. Lá fora.- o menino apontou para a janela.
Uma garota de verde e cabelos brancos acenava e chamava pela bruxa, sorrindo.
– Diana, o que significa isso? - indagava-se a tutora.
– Desculpe professora... - a feiticeira fez um sinal e a pessoa saiu. Para sua surpresa, era Melissa, no tamanho de uma garota normal e sem asas.
Após o período, Diana encontrou a serva na saída do Colégio.
– Melissa, o que faz aqui? Mandei ficar em casa com o RP-6.
– Ah, mas ele só fica lá parado. E se falo algo, tudo que ele diz é “Informação indisponível” e “Não consta nos registros”. Fiquei entediada. - a pequena fez bico, cruzando os braços. - Por isso eu vim aqui.
A menina junto as pontas dos dedos indicadores, olhando para o lado.
– Mestra... Você quer... Você quer sair comigo? - disse a fada, vermelha.
– Ora... claro. Por que não?
– Ebaaaaaa! Vou sair com a mestra Dianaaaaa, la la la la la laaaaaaaaaaaaaaaaaa!
– Olha só quanta animação. - Bruna aproximou-se das duas.
– Ah, oi Bruh! Tudo bem com você? - perguntou a bruxa.
– Estou sim. Muito difícil a prova?
– Um pouco. E pra você?
– Fácil.
– Quem é essa, mestra? - a fada fitava a moça de óculos de trás da amiga.
– Essa é bruna, minha amiga. Bruna, essa é Melissa, minha... minha irmã caçula!
– O quê?! - indagou a baixinha.
– Melissa. Que nome fofo. Prazer em conhecê-la. - Bruna inclinou-se em respeito.
A pequena ficou sem graça coma a graciosidade da moça.
– Então... vão a algum lugar?
– Vamos sim. Quer ir junto?
– Adoraria.
– NÃO! - Melissa entrou na frente de Diana- Você não irá estragar meu maravilhoso encontro com a mestra. Sua peituda. PEITUDA!
– Peituda? - Bruna não compreendeu o suposto insulto.
– Pare com isso, Melissa. - bronqueou Diana.
– Hum...tá. Mas eu fico do seu lado. A fada segurou o braço da bruxa. - A quatro olhos fica logo atrás.
Conversando, as meninas foram à uma sorveteria próxima.
– Ah! Adoro sorvete de menta! - suspirou a fada.
– Eu também. É o meu favorito. - declarou Bruna.
– Prefiro de flocos. - a feiticeira mexia no doce gelado com a colher. - Não deve ser tão bom quanto o beijo do Thiago, né Bruh?
– Ahn? - a moça envergonhou-se.
– Sabia Melissa? A Bruh beijou nosso amigo ruivo.
– O quê?! E ela ainda ousa dar em cima de você? Peituda tarada!
– De novo esse papo de seios... - confundia-se a nerd.
– Ouviu mestra. Eu posso ter peitos pequenos, porém nunca irei te trair. - Melissa segurou forte a mão da parceira.
– Que lindo. Sua irmãzinha te ama mesmo. - Bruna sorria.
– Sim! Eu amo... Eu amo você mestra! - a alta declaração chamou a atenção dos clientes e funcionários da sorveteria.
– Ah... Eu também te amo.
– Ama?
– Claro. Você é minha irmãzinha, certo?
– Mas... não foi isso que eu... - a pequena abaixou a cabeça. Seus olhos lacrimejavam -Mestra boba!
A menina pulou da mesa e correu.
– Melissa! Espere! Droga... Desculpe Bruh, eu...
– Tudo bem. Vá atrás dela. Eu pago o de vocês.
– Desculpe.
A bruxa saiu correndo pela cidade, procurando pela amiga. De tantas voltas que deu, parou para descansar num parque vazio. Ouviu um choro. Vinha de uma árvore ao seu lado. Num buraco, Melissa, de volta a forma alada, chorava encolhida.
– Ai ai, Melissa. - tirou a criaturinha do buraco e a deixou sentada na palma da mão - Por que fugiu daquele jeito?
– Me...solta... - a fada soluçava de tanto chorar.
– Pare de chorar. - enxugava as lágrimas da amiga com o dedo - Você é uma coisinha tão linda. Por que chorar tanto assim?
– Só que... a mestra... não me ama do mesmo jeito que eu.
A bruxa encostou a fada no peito.
– Mestra... - Melissa apoiou a pequena cabeça na região em que era encostada.
– Amor é amor, Melissa. Eu te amo muito. Bem mais do que imagina.
– É sério?
– Seríssimo. Você é incrível. Sempre que preciso de ajuda você está perto para me apoiar. Quando me sinto triste, você fica do meu lado e me consola. Eu adoro como fica alegre, e procura pelo bem de todos. Como trabalha duro com as suas irmãs. Por isso eu te amo. E a última coisa...melhor, a única coisa que eu jamais desejaria é te fazer chorar.
– Eu também te amo! - a fada saltou, rodeando a feiticeira. - A partir de agora vou me dedicar mais. E você irá se apaixonar por mim, tenho certeza!
– Esse é o espírito. E para começar que tal me levar a algum lugar? Ainda podemos ter aquele encontro.
– Eu passei por um playground lindo. Tinha um carrinho de churros por lá.
– Vamos então.
– Ebaaaa! Churros de chocolateeeeeeee!
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domingo, 4 de setembro de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #9
Diana meditava em seu quarto. O cheiro de incenso, acompanhado da leve iluminação de velas ritualísticas, preenchiam o ambiente obscuro do cômodo. Ouviu um barulho e resolveu checar. Encontrou Thiago na sala, fitando inúmeras armas num compartimento escondido na parede.
– Pensei que fosse contra armas de fogo. - disse ela.
– E sou. Mas da última vez que enfrentei o Anônimo, o que eu tinha não foi sulficiente. Terei de usar tudo ao meu alcance para derrotá-lo.
– Só não se esforce demais. Vai mesmo se encontrar com a Kamila depois daquele incidente?
– Ela parou de falar comigo. Eu...sinto falta dela.
– Sente é? Que progresso para um equipamento de destruição em massa.
– Tem certeza de que quer ficar?
– Sim. Preciso ficar sozinha um pouco. Me tranquilizar. É quase lua cheia e... Ah, esquece. Não é nada. Vá aproveitar seu encontro.
– Afirmativo.
Após dias sem contato, Kamila repentinamente convidou o robô para sair. Na verdade, soou mais como uma ordem que um convite. Encontraram-se no cinema. A moça reclamou do uniforme branco do menino e o puxou até a sala. O clima romântico da película os incomodava. As vezes levava a maquina a observar Kaminla, que virava o rosto emburrada, e numa indecisão e arrependimento voltava o olhar ao garoto, que retornara a assistir o filme. Ela queria conversar. Ele também. Não aguentaram, falando em uma súbita coincidência misturada de palavras. Riram daquele momento visto somente em ficções. Os espectadores ordenaram silêncio e o casal se calou. Saíram argumentando sobre o final do filme. De mãos dadas, enterravam-se em seu próprio mundo, mal percebendo a lotação do centro de compras. Kamila parou de repente.
– Por que anda comigo? - perguntou ela.
– Geralmente, porque você me arrasta.
– Você me odeia?
– “Ódio” não consta nos registros.
– Mesmo eu gritando o tempo todo com você e maltratando os outros?
– Não consta nos registros.
– Ai...e eu pensando que tu tinha parado com essa palhaçada. - a menina fechou o punho e o colocou no peito. - Eu achei que me odiasse...quando...fez aquilo com a Bruna. Então...você me ama?
– Amar?
– É que...só pode ser...Você é o único garoto sincero comigo, e que não está interessado só no meu corpo. Ao meu ver é assim.
– Amar...Eu não...Consta...Indispon... ERRO!
– Erro?!
– Desculpe. - o robô correu, deixando a amada sem resposta.
A lua cheia iluminava os céus. A escuridão engolia o apartamento de Thiago. Ao acender a luz, ouviu um grito. Uma pequena mulher alada surgiu do corredor.
– Ai, que susto! Pensei que fosse um bandido. Quase te transporto para um rio congelado, seu doido! Uma fada não pode ter mais paz nesse universo?
– Me perdoe... - o robô estranhava aquela criaturinha de 20 centímetros a voar com suas asas de inseto. Vestia um colete e mini-saia verdes, botinas e luvas. O cabelo era curto e brilhava intensamente.
– Você deve ser o Thiago, o homem de lata, certo?
– Homem de lata?
– Sou Melissa, familiar da mestra Diana. Ela vive falando de você na minha terra. Eu e minhas irmãs o apelidamos de “homem de lata”. É engraçado. - a fada deu uma breve risada.
– Claro...Onde está ela?
– No quarto, e me deu ordens para não deixá-lo entrar.
– Por que motivo?
– Digamos que ela...precisa se controlar, e não quer ser incomodada em sua meditação.
– Certo, desde que ela fique bem.
– Sim, sim! Eu amo tanto ela. Quer dizer...não é que eu amo ela, eu gosto dela muito, e ela é tão bonita...Digo...Ela é uma garota maravilhosa, certo? - a pequenina ficou vermelha - Você sabia? A maioria das bruxas escolhe gatos ou sapos como familiares, porém ela me escolheu ao invés de um animal. Demais, não?
A fada tagarelou a noite toda.
– Pensei que fosse contra armas de fogo. - disse ela.
– E sou. Mas da última vez que enfrentei o Anônimo, o que eu tinha não foi sulficiente. Terei de usar tudo ao meu alcance para derrotá-lo.
– Só não se esforce demais. Vai mesmo se encontrar com a Kamila depois daquele incidente?
– Ela parou de falar comigo. Eu...sinto falta dela.
– Sente é? Que progresso para um equipamento de destruição em massa.
– Tem certeza de que quer ficar?
– Sim. Preciso ficar sozinha um pouco. Me tranquilizar. É quase lua cheia e... Ah, esquece. Não é nada. Vá aproveitar seu encontro.
– Afirmativo.
Após dias sem contato, Kamila repentinamente convidou o robô para sair. Na verdade, soou mais como uma ordem que um convite. Encontraram-se no cinema. A moça reclamou do uniforme branco do menino e o puxou até a sala. O clima romântico da película os incomodava. As vezes levava a maquina a observar Kaminla, que virava o rosto emburrada, e numa indecisão e arrependimento voltava o olhar ao garoto, que retornara a assistir o filme. Ela queria conversar. Ele também. Não aguentaram, falando em uma súbita coincidência misturada de palavras. Riram daquele momento visto somente em ficções. Os espectadores ordenaram silêncio e o casal se calou. Saíram argumentando sobre o final do filme. De mãos dadas, enterravam-se em seu próprio mundo, mal percebendo a lotação do centro de compras. Kamila parou de repente.
– Por que anda comigo? - perguntou ela.
– Geralmente, porque você me arrasta.
– Você me odeia?
– “Ódio” não consta nos registros.
– Mesmo eu gritando o tempo todo com você e maltratando os outros?
– Não consta nos registros.
– Ai...e eu pensando que tu tinha parado com essa palhaçada. - a menina fechou o punho e o colocou no peito. - Eu achei que me odiasse...quando...fez aquilo com a Bruna. Então...você me ama?
– Amar?
– É que...só pode ser...Você é o único garoto sincero comigo, e que não está interessado só no meu corpo. Ao meu ver é assim.
– Amar...Eu não...Consta...Indispon... ERRO!
– Erro?!
– Desculpe. - o robô correu, deixando a amada sem resposta.
A lua cheia iluminava os céus. A escuridão engolia o apartamento de Thiago. Ao acender a luz, ouviu um grito. Uma pequena mulher alada surgiu do corredor.
– Ai, que susto! Pensei que fosse um bandido. Quase te transporto para um rio congelado, seu doido! Uma fada não pode ter mais paz nesse universo?
– Me perdoe... - o robô estranhava aquela criaturinha de 20 centímetros a voar com suas asas de inseto. Vestia um colete e mini-saia verdes, botinas e luvas. O cabelo era curto e brilhava intensamente.
– Você deve ser o Thiago, o homem de lata, certo?
– Homem de lata?
– Sou Melissa, familiar da mestra Diana. Ela vive falando de você na minha terra. Eu e minhas irmãs o apelidamos de “homem de lata”. É engraçado. - a fada deu uma breve risada.
– Claro...Onde está ela?
– No quarto, e me deu ordens para não deixá-lo entrar.
– Por que motivo?
– Digamos que ela...precisa se controlar, e não quer ser incomodada em sua meditação.
– Certo, desde que ela fique bem.
– Sim, sim! Eu amo tanto ela. Quer dizer...não é que eu amo ela, eu gosto dela muito, e ela é tão bonita...Digo...Ela é uma garota maravilhosa, certo? - a pequenina ficou vermelha - Você sabia? A maioria das bruxas escolhe gatos ou sapos como familiares, porém ela me escolheu ao invés de um animal. Demais, não?
A fada tagarelou a noite toda.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #8
Apoiado numa escrivaninha, analisava uma foto. Ainda se lembrava de cada detalhe daquele momento congelado no tempo. Ele, abraçado a Renata, acabava de pedi-la em casamento. Ela, com a ajuda do parceiro, terminava de construir Thiago. Melancólico, passava a mão nos cabelos grisalhos. Sobre a mesa, a máscara o fitava, mostrando suas dores e deveres estampadas na face avermelhada do demônio. Tirou o sobretudo, trocando-o por uma capa violeta, encapuzando-se.
– Você não vai para a Terra de novo, vai? - indagou uma aparição aquática em forma de mulher.
– Vou. Algum problema? - dizia o homem.
– Claro que sim! Acha que ir todo dia para aquela dimensão irá trazê-la de volta? Por que não fica aqui comigo? Podemos nos divertir um pouco. - a dama d’água acariciava o peitoral do sujeito.
– Agradeço sua boa vontade, Undine, mas é o que eu quero fazer por hora. - afastou as mãos dela.
– Pois bem. Estarei aguardando, meu amado mestre. - o espírito desapareceu.
Ignorando a espada e seu segundo rosto, Anônimo transportou-se para a Terra. Era noite. As ruas, pouco movimentadas. Saltando de prédio em prédio, foi até uma biblioteca. Sentou-se a beira do edifício. Observava a lua, recordando como ele a noiva costumavam visitar aquele mundo, cheio de maravilhas e surpresas. Ouviu um grito. Num beco do outro lado da rua, notou um tumulto. Uma moça em uma fantasia de couro apertada era abordada por um grupo de arruaceiros. Rodeando-a, os meninos a empurravam de um lado para o outro. Um dos membors notou a figura encapuzada emergindo na outra calçada.
– Perdeu alguma coisa amigo? - ameaçou o marginal, tentando o rosto do indivíduo. O mesmo não respondia. A vítima, desorientada, caiu no chão - Se pretende fazer alguma besteira, pode esquecer. Somos cinco contra um.
O homem continuou em silêncio. Um dos bandidos se aproximou dele e tentou empurrá-lo. Anônimo desviou, derrubando o garoto com um golpe. Após o ataque, todos os meninos partiram para cima dele. Um deles tentou esfaqueá-lo. O encapado desarmou-o e lançou a faca em outro oponente, enquanto nocauteava o primeiro. Entre murros e chutes, Anônimo derrotou os adversários. Um deles, afastado da briga, apontava uma arma para a garota.
– Afaste-se de mim seu louco! - gritava ele.
Anônimo fitou os olhos do garoto. Esse sentiu uma forte dor de cabeça, tendo alucinações. Assustado, disparou a arma e desmaiou. A bala acertou o homem. A moça tentava encontrar os óculos perdidos na escuridão. Anônimo pegou-os e os colocou na menina, que voltou a enxergar.
– Que...quem é você? - falou ela, espantada com a aparência sombria do justiceiro.
Sem responder, ofereceu a mão para ajudá-la. Ela ficou em pé, ajeitando os cabelos castanhos.
– Obrigada... seja lá quem você for. Eu sou Bruna, prazer - esticou o braço para cumprimentá-lo. Ele não se moveu.
– Você não deveria andar assim a essa hora da noite. - advertiu ele.
– Eu sei...Tudo aconteceu tão rápido. Numa hora realizo um dos meus desejos, na outra, sou abordada num beco. Que noite cheia, hein? - falava ela, ainda surpresa em beijar Thiago.
Anônimo cambaleou repentinamente, segurando o tórax.
– O senhor está bem?
– Sim. Não se preocupe comigo.
– Olha! Está sangrando. Vou chamar uma ambulância.
– Não. Sem ambulância.
– Mas você precisa de ajuda!
– Eu apenas preciso tirar a bala.
– Então... vamos para a minha casa. Ela não fica muito longe daqui. - a garota colocou o braço do homem nos ombros e o ajudou na caminhada.
Chegando em uma residência mediana, Bruna deitou o ferido no sofá e tirou sua roupa. Trouxe antibióticos e ataduras. Anônimo pediu uma faca. Agonizando, ele tirou a bala. A pequena enfermeira atou as faixas e fez um curativo. Deu alguns medicamentos para o paciente.
– Obrigado. - agradeceu ele, levantando-se.
– Por nada. Não vai descansar um pouco?
– Já me sinto melhor. E seus pais não gostariam de encontrar um estranho na casa deles.
– Eles viajaram.
– E não se importa de ficar sozinha nessa casa?
– Tudo bem. Estou acostumada. Eles sempre saem por causa do trabalho. É normal.
– E se alguma coisa acontecesse? - terminava de vestir suas roupas.
– Bem... - a moça não soube responder.
Passando os dedos na barba, o homem preocupou-se com a situação de Bruna. Do bolso da camisa, tirou um colar com um pequeno cristal rosado. Anônimo fez um gesto e disse algumas palavras em língua desconhecida.
– Posso? - disse ele, abrindo a peça.
– Ah...sim. - a nerd elevou os cabelos. O misterioso pôs o colar na jovem.
– Indiferente do que acontecer, nunca tire isso. Ele te protegerá de qualquer ameaça. Se precisar de mim, basta pensar que apareço sem falta.
– Certo... - confusa, aceitou o presente de bom grado - Eu não sei seu nome.
– Não precisa saber.
– Preciso sim. Você sabe o meu. Diga o seu agora.
– É...Danilo. - disse, colocando o capuz, receoso em revelar sua identidade.
– Mais uma vez, obrigada, Danilo.
O homem se dirigiu ao banheiro.
– Quando te verei de novo? - perguntou Bruna.
– Em breve. - Anônimo fechou a porta.
– Em breve quando? - ao abrir o sanitário, ele não se encontrava. Perdida com o repentino sumisso de seu salvador, Bruna sentou encostada na parece do box, admirando a misteriosa jóia que recebera.
De volta a base, Danilo tornou a observar a foto dele e de renata. Atento a imagem da amada, conversava com o objeto:
– Hoje conheci uma garota. Uma boa menina. Ela cuidou de mim. Lembra um pouco você na nossa época de escola. Queria que a conhecesse. Se não tivesse aparecido no momento certo, ela estaria morta. Infelizmente não pude fazer o mesmo por você. Por isso eu tenho que virar um deus. Assim lhe trarei de volta a vida, e juntos criaremos um novo universo. Um onde pessoas como Bruna não sofram mais. Não haverá injustiças, fome ou miséria. Quem se opor a nós, será eliminado. O DPI irá pagar por tirarem você de mim. Aguarde meu amor, logo nos uniremos para sempre.
– Você não vai para a Terra de novo, vai? - indagou uma aparição aquática em forma de mulher.
– Vou. Algum problema? - dizia o homem.
– Claro que sim! Acha que ir todo dia para aquela dimensão irá trazê-la de volta? Por que não fica aqui comigo? Podemos nos divertir um pouco. - a dama d’água acariciava o peitoral do sujeito.
– Agradeço sua boa vontade, Undine, mas é o que eu quero fazer por hora. - afastou as mãos dela.
– Pois bem. Estarei aguardando, meu amado mestre. - o espírito desapareceu.
Ignorando a espada e seu segundo rosto, Anônimo transportou-se para a Terra. Era noite. As ruas, pouco movimentadas. Saltando de prédio em prédio, foi até uma biblioteca. Sentou-se a beira do edifício. Observava a lua, recordando como ele a noiva costumavam visitar aquele mundo, cheio de maravilhas e surpresas. Ouviu um grito. Num beco do outro lado da rua, notou um tumulto. Uma moça em uma fantasia de couro apertada era abordada por um grupo de arruaceiros. Rodeando-a, os meninos a empurravam de um lado para o outro. Um dos membors notou a figura encapuzada emergindo na outra calçada.
– Perdeu alguma coisa amigo? - ameaçou o marginal, tentando o rosto do indivíduo. O mesmo não respondia. A vítima, desorientada, caiu no chão - Se pretende fazer alguma besteira, pode esquecer. Somos cinco contra um.
O homem continuou em silêncio. Um dos bandidos se aproximou dele e tentou empurrá-lo. Anônimo desviou, derrubando o garoto com um golpe. Após o ataque, todos os meninos partiram para cima dele. Um deles tentou esfaqueá-lo. O encapado desarmou-o e lançou a faca em outro oponente, enquanto nocauteava o primeiro. Entre murros e chutes, Anônimo derrotou os adversários. Um deles, afastado da briga, apontava uma arma para a garota.
– Afaste-se de mim seu louco! - gritava ele.
Anônimo fitou os olhos do garoto. Esse sentiu uma forte dor de cabeça, tendo alucinações. Assustado, disparou a arma e desmaiou. A bala acertou o homem. A moça tentava encontrar os óculos perdidos na escuridão. Anônimo pegou-os e os colocou na menina, que voltou a enxergar.
– Que...quem é você? - falou ela, espantada com a aparência sombria do justiceiro.
Sem responder, ofereceu a mão para ajudá-la. Ela ficou em pé, ajeitando os cabelos castanhos.
– Obrigada... seja lá quem você for. Eu sou Bruna, prazer - esticou o braço para cumprimentá-lo. Ele não se moveu.
– Você não deveria andar assim a essa hora da noite. - advertiu ele.
– Eu sei...Tudo aconteceu tão rápido. Numa hora realizo um dos meus desejos, na outra, sou abordada num beco. Que noite cheia, hein? - falava ela, ainda surpresa em beijar Thiago.
Anônimo cambaleou repentinamente, segurando o tórax.
– O senhor está bem?
– Sim. Não se preocupe comigo.
– Olha! Está sangrando. Vou chamar uma ambulância.
– Não. Sem ambulância.
– Mas você precisa de ajuda!
– Eu apenas preciso tirar a bala.
– Então... vamos para a minha casa. Ela não fica muito longe daqui. - a garota colocou o braço do homem nos ombros e o ajudou na caminhada.
Chegando em uma residência mediana, Bruna deitou o ferido no sofá e tirou sua roupa. Trouxe antibióticos e ataduras. Anônimo pediu uma faca. Agonizando, ele tirou a bala. A pequena enfermeira atou as faixas e fez um curativo. Deu alguns medicamentos para o paciente.
– Obrigado. - agradeceu ele, levantando-se.
– Por nada. Não vai descansar um pouco?
– Já me sinto melhor. E seus pais não gostariam de encontrar um estranho na casa deles.
– Eles viajaram.
– E não se importa de ficar sozinha nessa casa?
– Tudo bem. Estou acostumada. Eles sempre saem por causa do trabalho. É normal.
– E se alguma coisa acontecesse? - terminava de vestir suas roupas.
– Bem... - a moça não soube responder.
Passando os dedos na barba, o homem preocupou-se com a situação de Bruna. Do bolso da camisa, tirou um colar com um pequeno cristal rosado. Anônimo fez um gesto e disse algumas palavras em língua desconhecida.
– Posso? - disse ele, abrindo a peça.
– Ah...sim. - a nerd elevou os cabelos. O misterioso pôs o colar na jovem.
– Indiferente do que acontecer, nunca tire isso. Ele te protegerá de qualquer ameaça. Se precisar de mim, basta pensar que apareço sem falta.
– Certo... - confusa, aceitou o presente de bom grado - Eu não sei seu nome.
– Não precisa saber.
– Preciso sim. Você sabe o meu. Diga o seu agora.
– É...Danilo. - disse, colocando o capuz, receoso em revelar sua identidade.
– Mais uma vez, obrigada, Danilo.
O homem se dirigiu ao banheiro.
– Quando te verei de novo? - perguntou Bruna.
– Em breve. - Anônimo fechou a porta.
– Em breve quando? - ao abrir o sanitário, ele não se encontrava. Perdida com o repentino sumisso de seu salvador, Bruna sentou encostada na parece do box, admirando a misteriosa jóia que recebera.
De volta a base, Danilo tornou a observar a foto dele e de renata. Atento a imagem da amada, conversava com o objeto:
– Hoje conheci uma garota. Uma boa menina. Ela cuidou de mim. Lembra um pouco você na nossa época de escola. Queria que a conhecesse. Se não tivesse aparecido no momento certo, ela estaria morta. Infelizmente não pude fazer o mesmo por você. Por isso eu tenho que virar um deus. Assim lhe trarei de volta a vida, e juntos criaremos um novo universo. Um onde pessoas como Bruna não sofram mais. Não haverá injustiças, fome ou miséria. Quem se opor a nós, será eliminado. O DPI irá pagar por tirarem você de mim. Aguarde meu amor, logo nos uniremos para sempre.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #7
Thiago acordou em seu apartamento. Deitava-se ao colo de Diana. Essa explicou o que sucedeu. Anônimo os mandou de volta. Retornar ao local era inconcebível. Ele os expulsaria facilmente. A dimensão toda estava sobre o controle dele, como um deus em sintonia com sua criação. A Câmara de Iluminação. Ela fixou-se na mente do robô. Aquele conjunto de blocos e luzes lhe trazia paz. Renata até parecia estar viva. Diana sugeriu que ele se arrumasse, ou se atrasariam para a festa de Paulo. Decidiram ir com seus uniformes: Thiago como oficial, de branco; Diana em sua capa escura de bruxa, encapuzada.
– Você demorou. - disse Kamila, trajada de princesa, afastando o robô da maga.
– Oi para você também. - falou a feiticeira, passando os dedos em sua franja azulada.
– Vamos Thiago.
– Mas... - o garoto olhou para Diana.
– Tudo bem. Vou comer alguma coisa. - a moça saiu em direção aos salgadinhos sobre uma mesa.
Paulo, de cavaleiro, conversava com seus colegas na cozinha.
– Que festa mais sem graça, não? - dizia Kamila ao ouvido do anfitrião.
– Vocês não foram convidados. - respondeu o menino.
– Quem disse que eu queria?
– Se não queria, por que está aqui?
– Para ver os horrores de perto. E a sua acompanhante CDF, não veio?
– Não. Mas logo ela... - Paulo calou-se ao ver a belíssima garota de cabelos castanhos e óculos que entrava na residência, numa fantasia de mulher-gato justíssima.
– Bru...Bruna?! - balbuciou Kamila.
– Eu...era a única que eu tinha. - a menina se contorcia de vergonha, tentando cobrir as partes íntimas.
– O que dizia Kamila? Veja a gloriosa beldade que me acompanha. - gabava-se Paulo, apontando as curvas da suposta namorada.
– Grande coisa! Eu sou muito melhor. - retrucava a penetra.
– O escambau! - começaram a discutir.
– Aah...de novo não. - murmurou Bruna. Notou que Thiago a olhava com atenção. - Não olhe para mim desse jeito.
– Desculpe...são os def...sentimentos. - explicou ele.
– Sentimentos?! - a garota entendeu aquilo como uma declaração.
Thiago sentiu seu corpo estranhamente mover-se sozinho. Segurou na cintura da garota.
– O que está fazendo? - o rosto dela avermelhou-se no mesmo instante.
O robô fechou os olhos e lhe deu um longo e profundo beijo. A nerd, confusa, involuntariamente segurou a cabeça do garoto contra a dela. Os outros dois pararam de brigar, observando boquiabertos a cena. Beijada, a moça despediu-se num breve “tchau” e correu. Emocionada, o coração batia acelerado. Diana aparece carregando uma cesta cheia de coxinhas e estranha as expressões pasmadas de Paulo e Kamila. Vira-se para a máquina:
– Perdi alguma coisa?
– Você demorou. - disse Kamila, trajada de princesa, afastando o robô da maga.
– Oi para você também. - falou a feiticeira, passando os dedos em sua franja azulada.
– Vamos Thiago.
– Mas... - o garoto olhou para Diana.
– Tudo bem. Vou comer alguma coisa. - a moça saiu em direção aos salgadinhos sobre uma mesa.
Paulo, de cavaleiro, conversava com seus colegas na cozinha.
– Que festa mais sem graça, não? - dizia Kamila ao ouvido do anfitrião.
– Vocês não foram convidados. - respondeu o menino.
– Quem disse que eu queria?
– Se não queria, por que está aqui?
– Para ver os horrores de perto. E a sua acompanhante CDF, não veio?
– Não. Mas logo ela... - Paulo calou-se ao ver a belíssima garota de cabelos castanhos e óculos que entrava na residência, numa fantasia de mulher-gato justíssima.
– Bru...Bruna?! - balbuciou Kamila.
– Eu...era a única que eu tinha. - a menina se contorcia de vergonha, tentando cobrir as partes íntimas.
– O que dizia Kamila? Veja a gloriosa beldade que me acompanha. - gabava-se Paulo, apontando as curvas da suposta namorada.
– Grande coisa! Eu sou muito melhor. - retrucava a penetra.
– O escambau! - começaram a discutir.
– Aah...de novo não. - murmurou Bruna. Notou que Thiago a olhava com atenção. - Não olhe para mim desse jeito.
– Desculpe...são os def...sentimentos. - explicou ele.
– Sentimentos?! - a garota entendeu aquilo como uma declaração.
Thiago sentiu seu corpo estranhamente mover-se sozinho. Segurou na cintura da garota.
– O que está fazendo? - o rosto dela avermelhou-se no mesmo instante.
O robô fechou os olhos e lhe deu um longo e profundo beijo. A nerd, confusa, involuntariamente segurou a cabeça do garoto contra a dela. Os outros dois pararam de brigar, observando boquiabertos a cena. Beijada, a moça despediu-se num breve “tchau” e correu. Emocionada, o coração batia acelerado. Diana aparece carregando uma cesta cheia de coxinhas e estranha as expressões pasmadas de Paulo e Kamila. Vira-se para a máquina:
– Perdi alguma coisa?
terça-feira, 14 de junho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #6
RP-6 terminava de recarregar suas energias. Saiu da cápsula e colocou o uniforme branco do DPI. Saindo do quarto, viu Diana observando a foto de uma mulher de jaleco na parede.
– Você deve sentir muito a falta dela, não? - disse a bruxa, virando-se para o robô.
– Ela me ajudou todo o tempo. Me sinto agradecido por ter construído a mim.
– Sente?
– Defeitos...
– Talvez esses “defeitos” existissem em você sempre. Apenas levou um tempo para aflorá-los. Esses sentimentos.
– Então, tudo não passa de uma função oculta do meu sistema?
– Pode ser. Se ela não tivesse morrido... Minha mãe também sente saudade. Eu jamais imaginei uma bruxa ter uma amizade tão forte com uma cientista. Os únicos amigos dela eram a Renata e um outro cara. O homem sumiu, restando somente sua criadora. Não sei porquê, minha mãe não gostava de falar no tal do homem que foi embora. - Diana pôs a capa e pegou a bolsa - Vamos?
– Sim.
O ruivo abriu um portal e os dois entraram. Pararam no cômodo empoeirado da última vez, quando Thiago resgatou Kamila. A maga abriu a porta lentamente e checou o corredor. Ninguém. Andaram sorrateiramente pelo edifício, procurando por pistas. De uma vidraça, encontraram o que parecia a área principal do prédio. Várias pessoas, hipnotizadas, trabalhavam na construção de uma máquina. Ao redor, guardas bem armados.
– Thiago, Olhe! - Diana apontava - É ele!
– Quem? Onde?
– O Anônimo! Bem ali. - por mais que a maga apontasse, o robô via apenas uma viga e dois seguranças.
– Não vejo ele.
– Como não? Está bem ali, entre aqueles dois guardas.
Thiago ia responder, porém percebeu não estar mais no mesmo local. Um ambiente esbranquiçado. Inúmeras caixas brancas formavam as paredes e o teto. Algumas brilhavam de cores diferentes a cada momento, formando um breve show de luzes.
– Bem vindo, RP-6. - falou uma voz.
Virando-se, o robô se deparou com um homem engravatado, num sobretudo negro, usando uma máscara demoníaca. Debaixo da capa negra, uma katana.
– Anônimo. - disse Thiago, fitando-o seriamente.
– Não se preocupe. Sua parceira está bem. Deixei uma ilusão sua e minha para distraí-la.
– Onde estou?
– Na Câmara de Iluminação. Aqui medito.
– Como encontrou esta dimensão desconhecida.
– Eu a criei. Era o único jeito de me esconder do DPI.
– Nós pensávamos que você se escondia na Terra.
– Vocês me encontrariam facilmente por lá. E mesmo criando uma dimensão nova, aqui está você, determinado a me impedir.
– Sim. Um dos seus servos tentou abusar de uma garota que eu conheço.
– Peço desculpas. Se serve de consolo, já puni meus seguidores por tais atos. Não acontecerá novamente. - o mascarado ajeitava a gravata.
Thiago tentou desferir-lhe um golpe, mas o homem rapidamente desviou e o golpeou com a bainha da espada. O garoto ficou imóvel.
– Não tente me impedir. O futuro de todos nós depende disso. E não pense que é o único a sentir falta da Renata. Agora vá. Sua amiga o aguarda. Em breve um novo deus surgirá, trazendo salvação a todos. Um deus sem nome. - Thiago sentiu sua consciência se esvaindo e apagou.
– Você deve sentir muito a falta dela, não? - disse a bruxa, virando-se para o robô.
– Ela me ajudou todo o tempo. Me sinto agradecido por ter construído a mim.
– Sente?
– Defeitos...
– Talvez esses “defeitos” existissem em você sempre. Apenas levou um tempo para aflorá-los. Esses sentimentos.
– Então, tudo não passa de uma função oculta do meu sistema?
– Pode ser. Se ela não tivesse morrido... Minha mãe também sente saudade. Eu jamais imaginei uma bruxa ter uma amizade tão forte com uma cientista. Os únicos amigos dela eram a Renata e um outro cara. O homem sumiu, restando somente sua criadora. Não sei porquê, minha mãe não gostava de falar no tal do homem que foi embora. - Diana pôs a capa e pegou a bolsa - Vamos?
– Sim.
O ruivo abriu um portal e os dois entraram. Pararam no cômodo empoeirado da última vez, quando Thiago resgatou Kamila. A maga abriu a porta lentamente e checou o corredor. Ninguém. Andaram sorrateiramente pelo edifício, procurando por pistas. De uma vidraça, encontraram o que parecia a área principal do prédio. Várias pessoas, hipnotizadas, trabalhavam na construção de uma máquina. Ao redor, guardas bem armados.
– Thiago, Olhe! - Diana apontava - É ele!
– Quem? Onde?
– O Anônimo! Bem ali. - por mais que a maga apontasse, o robô via apenas uma viga e dois seguranças.
– Não vejo ele.
– Como não? Está bem ali, entre aqueles dois guardas.
Thiago ia responder, porém percebeu não estar mais no mesmo local. Um ambiente esbranquiçado. Inúmeras caixas brancas formavam as paredes e o teto. Algumas brilhavam de cores diferentes a cada momento, formando um breve show de luzes.
– Bem vindo, RP-6. - falou uma voz.
Virando-se, o robô se deparou com um homem engravatado, num sobretudo negro, usando uma máscara demoníaca. Debaixo da capa negra, uma katana.
– Anônimo. - disse Thiago, fitando-o seriamente.
– Não se preocupe. Sua parceira está bem. Deixei uma ilusão sua e minha para distraí-la.
– Onde estou?
– Na Câmara de Iluminação. Aqui medito.
– Como encontrou esta dimensão desconhecida.
– Eu a criei. Era o único jeito de me esconder do DPI.
– Nós pensávamos que você se escondia na Terra.
– Vocês me encontrariam facilmente por lá. E mesmo criando uma dimensão nova, aqui está você, determinado a me impedir.
– Sim. Um dos seus servos tentou abusar de uma garota que eu conheço.
– Peço desculpas. Se serve de consolo, já puni meus seguidores por tais atos. Não acontecerá novamente. - o mascarado ajeitava a gravata.
Thiago tentou desferir-lhe um golpe, mas o homem rapidamente desviou e o golpeou com a bainha da espada. O garoto ficou imóvel.
– Não tente me impedir. O futuro de todos nós depende disso. E não pense que é o único a sentir falta da Renata. Agora vá. Sua amiga o aguarda. Em breve um novo deus surgirá, trazendo salvação a todos. Um deus sem nome. - Thiago sentiu sua consciência se esvaindo e apagou.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #5
Os estudantes entravam na sala e sentavam. Kamila conversava com Thiago sobre uma festa a fantasia na casa de Paulo. Bruna, duas fileiras depois, olhava o robô apaixonada, escondida atrás dum livro de literatura. A professora entrou, acompanhada de uma garota de mechas azuis.
– Silêncio, classe. - ordenou a tutora - Temos uma nova aluna.
– Olá! - disse a novata, abrindo um grande sorriso - Eu sou Diana. Espero me dar bem com todos.
– Você vai se sentar...
– Thiago! - a menina correu e abraçou forte o ruivo.
– Bem...parece que vocês se conhecem. Enfim, sente-se ao lado dele.
Diana alegremente se colocou na carteira próxima ao parceiro. Os meninos observavam-na admirados. Kamila, irritada, virou a face.
– O que faz aqui, Bruxa? - perguntava RP-6 durante o intervalo.
– Já falei para me chamar de Diana - advertiu a feiticeira.
– Sim.
– O Comandante mandou te ajudar na investigação. Lembra daquele sujeito que você prendeu? Ele sequestrou mais de 300 pessoas naquele mesmo dia. Infelizmente não informou o paradeiro das vítimas. Sabemos ao menos que ele tem uma relação com o Anônimo. Preocupados, me enviaram para esta dimensão. E aqui estou eu.
– Entendo. Quando enfrentei aquele infrator, percebi que estava em um plano desconhecido, fora desse e do nosso mundo.
– Aí complica. De que forma vamos encontrar o Anônimo se ele está em um local que não consta em nenhum dos dois mundos?
– Para perseguir o sequestrador, segui o rastro no espaço-tempo deixado por ele. Por precaução, armazenei as coordenadas no meu sistema.
– Boa. Assim facilita bastante.
Alguém se aproximou.
– Olá, senhorita. - disse paulo, beijando a mão da moça - Você aceitaria sair comigo?
– Não, obrigada. - respondeu ela.
– Por que não?
– Sem interesse. - segurou o braço do policial - O Thiago é meu único homem.
– Ah, ele de novo?! - o garoto saiu indignado.
Após as aulas, Kamila fez outra visita ao amigo. Chegando lá, foi recebida por Diana, que usava apenas uma toalha.
– O que faz aqui? E qual é a dessa toalha? - questionou Kamila.
– Vocês não...estavam fazendo aquilo, certo? - falou Bruna, acompanhando a garota.
– Que é isso gente. Eu estava tomando banho. Sozinha. Amigos de infância não podem morar juntos? - a maga deu passagem e as duas entraram.
– Morar? Você vai ficar nesse apartamento com o meu namorado? - Kamila ficou mais irritada ainda.
– Eu queria morar no mesmo apartamento que ele. - a estudiosa sonhava alto.
– Namorado? Que eu saiba ele é mais um escravo seu. - bateu no quarto de Thiago. O mesmo saiu, sem deixa-las ver o conteúdo do cômodo.
– Como pode deixa-la viver com você sem me avisar? - dizia Kamila.
– Ela é minha parceira. - disse ele.
– O que quer dizer com “parceira”?
– Gente...fiquem calmos, por favor. - recomendava Bruna.
– Quer saber, eu vou embora! - Kamila deixou-os, batendo os pés.
– De...Desculpe. - a nerd seguiu os passos da colega lentamente e fechou a porta.
– Ai ai...- suspirou a maga - Aquelas duas são realmente apaixonadas por você. Quem diria, hein? Isso me faz lembrar dos meus 100 anos de idade. Bons tempos. Você também se recorda, não é? Foi quando nos conhecemos.
– Sim. - afirmou Thiago.
– Eu era só uma criança ingênua. Você, pelo contrário, sempre foi o mesmo. Apesar de que...parece ter mudado ao vir para cá.
– Eu tenho passado por algumas falhas.
– Ah...falando nos velhos tempos, trouxe algo para você. - de uma sacola, tirou um uniforme de oficial branco. No chapéu e no distintivo encontravam-se as siglas “D.P.I.”
– Meu antigo uniforme... - segurou a roupa.
– Você fez 500 anos esses dias, e eu não sabia o que dar, então trouxe isso. Ouvi dizer que existem muitos problemas nesse mundo. Acho que deveríamos ajudar. Proteger os habitantes daqui, embora o DPI não se importe com o futuro desse planeta.
– Certamente... - o robô olhava profundamente a vestimenta - Obrigado.
– Algo errado?
– Não...Desculpe. São os defeitos.
– Eu gosto desses defeitos. - Diana abraçou-o por trás - Talvez assim eu finalmente tenha alguma chance.
– Chance do que exatamente?
– Ah...nada de mais.
– Silêncio, classe. - ordenou a tutora - Temos uma nova aluna.
– Olá! - disse a novata, abrindo um grande sorriso - Eu sou Diana. Espero me dar bem com todos.
– Você vai se sentar...
– Thiago! - a menina correu e abraçou forte o ruivo.
– Bem...parece que vocês se conhecem. Enfim, sente-se ao lado dele.
Diana alegremente se colocou na carteira próxima ao parceiro. Os meninos observavam-na admirados. Kamila, irritada, virou a face.
– O que faz aqui, Bruxa? - perguntava RP-6 durante o intervalo.
– Já falei para me chamar de Diana - advertiu a feiticeira.
– Sim.
– O Comandante mandou te ajudar na investigação. Lembra daquele sujeito que você prendeu? Ele sequestrou mais de 300 pessoas naquele mesmo dia. Infelizmente não informou o paradeiro das vítimas. Sabemos ao menos que ele tem uma relação com o Anônimo. Preocupados, me enviaram para esta dimensão. E aqui estou eu.
– Entendo. Quando enfrentei aquele infrator, percebi que estava em um plano desconhecido, fora desse e do nosso mundo.
– Aí complica. De que forma vamos encontrar o Anônimo se ele está em um local que não consta em nenhum dos dois mundos?
– Para perseguir o sequestrador, segui o rastro no espaço-tempo deixado por ele. Por precaução, armazenei as coordenadas no meu sistema.
– Boa. Assim facilita bastante.
Alguém se aproximou.
– Olá, senhorita. - disse paulo, beijando a mão da moça - Você aceitaria sair comigo?
– Não, obrigada. - respondeu ela.
– Por que não?
– Sem interesse. - segurou o braço do policial - O Thiago é meu único homem.
– Ah, ele de novo?! - o garoto saiu indignado.
Após as aulas, Kamila fez outra visita ao amigo. Chegando lá, foi recebida por Diana, que usava apenas uma toalha.
– O que faz aqui? E qual é a dessa toalha? - questionou Kamila.
– Vocês não...estavam fazendo aquilo, certo? - falou Bruna, acompanhando a garota.
– Que é isso gente. Eu estava tomando banho. Sozinha. Amigos de infância não podem morar juntos? - a maga deu passagem e as duas entraram.
– Morar? Você vai ficar nesse apartamento com o meu namorado? - Kamila ficou mais irritada ainda.
– Eu queria morar no mesmo apartamento que ele. - a estudiosa sonhava alto.
– Namorado? Que eu saiba ele é mais um escravo seu. - bateu no quarto de Thiago. O mesmo saiu, sem deixa-las ver o conteúdo do cômodo.
– Como pode deixa-la viver com você sem me avisar? - dizia Kamila.
– Ela é minha parceira. - disse ele.
– O que quer dizer com “parceira”?
– Gente...fiquem calmos, por favor. - recomendava Bruna.
– Quer saber, eu vou embora! - Kamila deixou-os, batendo os pés.
– De...Desculpe. - a nerd seguiu os passos da colega lentamente e fechou a porta.
– Ai ai...- suspirou a maga - Aquelas duas são realmente apaixonadas por você. Quem diria, hein? Isso me faz lembrar dos meus 100 anos de idade. Bons tempos. Você também se recorda, não é? Foi quando nos conhecemos.
– Sim. - afirmou Thiago.
– Eu era só uma criança ingênua. Você, pelo contrário, sempre foi o mesmo. Apesar de que...parece ter mudado ao vir para cá.
– Eu tenho passado por algumas falhas.
– Ah...falando nos velhos tempos, trouxe algo para você. - de uma sacola, tirou um uniforme de oficial branco. No chapéu e no distintivo encontravam-se as siglas “D.P.I.”
– Meu antigo uniforme... - segurou a roupa.
– Você fez 500 anos esses dias, e eu não sabia o que dar, então trouxe isso. Ouvi dizer que existem muitos problemas nesse mundo. Acho que deveríamos ajudar. Proteger os habitantes daqui, embora o DPI não se importe com o futuro desse planeta.
– Certamente... - o robô olhava profundamente a vestimenta - Obrigado.
– Algo errado?
– Não...Desculpe. São os defeitos.
– Eu gosto desses defeitos. - Diana abraçou-o por trás - Talvez assim eu finalmente tenha alguma chance.
– Chance do que exatamente?
– Ah...nada de mais.
domingo, 22 de maio de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #4
Educação física. As meninas jogavam vôlei, enquanto os garotos observavam. Kamila, sem participar da aula, sentava no canto da quadra, pensativa. Thiago faltou.
– Algo errado? - falou uma de suas amigas.
– Sinto falta dele. - disse a garota.
– Óbvio. Quem não sentiria falta de um gato daqueles?
– Não é isso. Parece chato sem ele por perto.
– Ué...Se importando agora? Pensei que servisse apenas para seus planos.
– Não diga besteiras.
– Você é quem sabe.
Kamila negava ter algum sentimento pelo menino. Porém, ela mesma percebia que gostava dele. Realmente queria vê-lo. Conversou com os professores e conseguiu o endereço do garoto. Após a escola, foi visitá-lo. Chegou em um prédio e subiu até a cobertura. Bateu na porta. Thiago a abriu. A moça entrou indiferente e sentou no sofá da enorme sala.
– Por que não apareceu hoje?
– Ocupado.
– Com o que?
– Estudando os defeitos.
– Fala sério. Para de dizer essas coisas estranhas. Idiota...Pelo menos com a CDF sei que não estava. Que apartamento grande. Você mora sozinho neste lugar?
– Sim.
– Onde estão seus pais?
– “Pais” não consta nos registros.
– Sem pais? Deve ser rico então.
– “Rico” não consta nos registros.
– Aaah! Que saco você hein! - Levantou e tentou abriar a porta próxima ao móvel. Trancada - O que tem aqui dentro?
– É onde eu recarrego.
– Seu quarto, quer dizer. Quero entrar.
– Entrada proibida.
– Por quê? Algo que não pode me mostrar? Já sei, tem um montão de revistas pornôs aí, né? Seu tarado...
– Vou no mercado comprar alimentos para nós. Aguarde.
– Tá...
Thiago não esperava a visita dela naquele momento. Ao retornar das compras, Encontrou o apartamento vazio. Apenas a bolsa que Kamila carregava se encontrava. O robô segurou-a por alguns segundos e a soltou. Encostou sua mão na parede. Um buraco luminoso surgiu. Entrou na passagem, indo parar em um cômodo empoeirado. Um homem despia a garota, desacordada sobre uma cama. O sujeito notou a presença do menino.
– Interessante. - dizia ele -Eu topei com muitas máquinas do DPI, mas nenhuma delas tinha a capacidade de atravessar as dimensões. Pena ter que te destruir. Você seria um grande objeto de estudo para nós.
– Qual o seu interesse nela?
– Nada de mais. Raptei quem eu precisava. Ela é só uma gostosinha que eu peguei para me divertir. É claro que uma lata velha não entenderia isso.
Thiago rapidamente se aproximou e tentou pegar Kamila.
– Nem pensar! - o criminoso sacou uma adaga de energia e cortou um dos braços do garoto fora. - Eu derrotei muitos da sua agência. Não pense que...
Antes que ele pudesse terminar, Thiago o desarmou com um chute e o lançou contra o chão.
– Como?! - o indivíduo não conseguiu se levantar com o choque - Como uma sucata pode se mover nessa velocidade?
– Essa informação lhe é irrelevante. - o robô tirou um pequeno cubo do bolso e o segurou na direção do homem - Em nome do Departamento de Polícia Interdimensional, você está preso.
O objeto brilhou intensamente, sugando as partículas do bandido para seu interior.
– Processo de confinamento concluído. - guardou-o e carregou a moça. Abrindo um novo portal, voltou para o apartamento.
Deitou Kamila no sofá. Uma garota encapuzada apareceu.
– Há quanto tempo. - ela tirou o capuz, mostrando suas mechas azuladas.
– Sim, Bruxa. - disse ele, erguendo o cubo - Capturei um criminoso. Pelo uniforme, provavelmente trabalha para o fugitivo.
– Entendo. - encostou o dedo indicador no objeto - O infrator foi transferido para nosso mundo com sucesso. Em breve o interrogaremos. Algo mais, RP-6?
– Meu braço esquerdo.
– Certamente. - a maga fechou os olhos e os tornou a abrir. - As peças foram enviadas ao seu quarto. Poderá usa-las na reconstrução do membro.
– Obrigado, Bruxa.
– Qual é. Nós passamos dessa fase parceiro. Você deve me chamar de Diana, lembre-se disso.
– Afirmativo.
A feiticeira ajeitou sua capa negra e desapareceu. Thiago sentou-se ao lado de Kamila, acariciando sua cabeça.
– Os defeitos...Sempre que estou perto de você...Preciso comprovar a origem deles.
– Algo errado? - falou uma de suas amigas.
– Sinto falta dele. - disse a garota.
– Óbvio. Quem não sentiria falta de um gato daqueles?
– Não é isso. Parece chato sem ele por perto.
– Ué...Se importando agora? Pensei que servisse apenas para seus planos.
– Não diga besteiras.
– Você é quem sabe.
Kamila negava ter algum sentimento pelo menino. Porém, ela mesma percebia que gostava dele. Realmente queria vê-lo. Conversou com os professores e conseguiu o endereço do garoto. Após a escola, foi visitá-lo. Chegou em um prédio e subiu até a cobertura. Bateu na porta. Thiago a abriu. A moça entrou indiferente e sentou no sofá da enorme sala.
– Por que não apareceu hoje?
– Ocupado.
– Com o que?
– Estudando os defeitos.
– Fala sério. Para de dizer essas coisas estranhas. Idiota...Pelo menos com a CDF sei que não estava. Que apartamento grande. Você mora sozinho neste lugar?
– Sim.
– Onde estão seus pais?
– “Pais” não consta nos registros.
– Sem pais? Deve ser rico então.
– “Rico” não consta nos registros.
– Aaah! Que saco você hein! - Levantou e tentou abriar a porta próxima ao móvel. Trancada - O que tem aqui dentro?
– É onde eu recarrego.
– Seu quarto, quer dizer. Quero entrar.
– Entrada proibida.
– Por quê? Algo que não pode me mostrar? Já sei, tem um montão de revistas pornôs aí, né? Seu tarado...
– Vou no mercado comprar alimentos para nós. Aguarde.
– Tá...
Thiago não esperava a visita dela naquele momento. Ao retornar das compras, Encontrou o apartamento vazio. Apenas a bolsa que Kamila carregava se encontrava. O robô segurou-a por alguns segundos e a soltou. Encostou sua mão na parede. Um buraco luminoso surgiu. Entrou na passagem, indo parar em um cômodo empoeirado. Um homem despia a garota, desacordada sobre uma cama. O sujeito notou a presença do menino.
– Interessante. - dizia ele -Eu topei com muitas máquinas do DPI, mas nenhuma delas tinha a capacidade de atravessar as dimensões. Pena ter que te destruir. Você seria um grande objeto de estudo para nós.
– Qual o seu interesse nela?
– Nada de mais. Raptei quem eu precisava. Ela é só uma gostosinha que eu peguei para me divertir. É claro que uma lata velha não entenderia isso.
Thiago rapidamente se aproximou e tentou pegar Kamila.
– Nem pensar! - o criminoso sacou uma adaga de energia e cortou um dos braços do garoto fora. - Eu derrotei muitos da sua agência. Não pense que...
Antes que ele pudesse terminar, Thiago o desarmou com um chute e o lançou contra o chão.
– Como?! - o indivíduo não conseguiu se levantar com o choque - Como uma sucata pode se mover nessa velocidade?
– Essa informação lhe é irrelevante. - o robô tirou um pequeno cubo do bolso e o segurou na direção do homem - Em nome do Departamento de Polícia Interdimensional, você está preso.
O objeto brilhou intensamente, sugando as partículas do bandido para seu interior.
– Processo de confinamento concluído. - guardou-o e carregou a moça. Abrindo um novo portal, voltou para o apartamento.
Deitou Kamila no sofá. Uma garota encapuzada apareceu.
– Há quanto tempo. - ela tirou o capuz, mostrando suas mechas azuladas.
– Sim, Bruxa. - disse ele, erguendo o cubo - Capturei um criminoso. Pelo uniforme, provavelmente trabalha para o fugitivo.
– Entendo. - encostou o dedo indicador no objeto - O infrator foi transferido para nosso mundo com sucesso. Em breve o interrogaremos. Algo mais, RP-6?
– Meu braço esquerdo.
– Certamente. - a maga fechou os olhos e os tornou a abrir. - As peças foram enviadas ao seu quarto. Poderá usa-las na reconstrução do membro.
– Obrigado, Bruxa.
– Qual é. Nós passamos dessa fase parceiro. Você deve me chamar de Diana, lembre-se disso.
– Afirmativo.
A feiticeira ajeitou sua capa negra e desapareceu. Thiago sentou-se ao lado de Kamila, acariciando sua cabeça.
– Os defeitos...Sempre que estou perto de você...Preciso comprovar a origem deles.
sábado, 7 de maio de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #3
Era uma manhã fria. Os estudantes , agasalhados, se protegiam do frio e resistiam ao sono. Thiago, o único desagasalhado, chegava na escola. Notou um pequeno tumulto no pátio. Um grupo de alunas chingavam Bruna, caída no chão, e chutavam suas coisas.
– Você não é nada sua trouxa! - falou uma delas.
– O que acontece aqui? - Thiago interrompeu o abuso.
– Estamos mostrando o lugar dela.
– Lugar? Não compreendo.
– Ela deve aprender a não ficar no nosso caminho.
– E por que ela deveria?
– Ora seu... Se você não fosse tão gato...Vamos meninas.
Bruna pegou os óculos e colocou-os.
– Você está bem? - perguntou o garoto.
– Ah...sim. - respondeu ela.
– Não se machucou? - recolhia os livros espalhados.
– Não...Obrigada por me ajudar.
– De nada. - ofereceu a mão para levantá-la. Timidamente, aceitou a ajuda e ficou em pé.
– Sua mão é macia...quer dizer...obrigada, de novo. - envergonhada, abaixou a cabeça levemente. O menino passou a mão na sua face.
– Seu rosto ficou vermelho de repente. Tem certeza de que está bem?
– Si..Sim! - a menina, mais encabulada ainda, abraçou forte os objetos. O sinal tocou. - Ah...Melhor irmos para a sala.
– Afirmativo.
Entraram na classe. Kamila, sentada em sua carteira, fitava Bruna com raiva ao vê-la acompanhada do servo. Thiago se sentou.
– O que você fazia junto daquela CDF? - interrogou Kamila.
– Nenhuma atividade suspeita foi executada. Apenas a ajudei. - respondeu o robô.
– Sei... É só eu dar as costas que você vai atrás dela né? Seu tarado imprestável.
– Isso é irrelevante levando em conta que, de acordo com você, não tenho significado.
– Bem...Eu... - a menina calou-se.
– Eu encontrei suas amigas importunando a Bruna. Gostaria de entender porque.
– Aquela nerd...
– Ela fez algo ruim para você?
– Não.
– Então por que fazer aquilo?
Kamila refletiu sobre seus atos. Quase não prestou atenção nas aulas. No intervalo, conversou com suas amigas e foi ver Bruna. Essa sentava num banco, lendo um livro de Química.
– Posso falar com você?
– Tudo bem. - respondeu, fechando o livro.
– Eu...Me desculpe por como eu tenho te tratado. Nós não iremos te incomodar mais.
– Certo. Obrigada. - a jovem sentiu-se aliviada.
– E mais uma coisa...- Kamila apontou determinada para Bruna - Eu não vou perder para você!
Na saída, viu que Thiago a aguardava. Estranhava ele estar sem blusa desde cedo naquele frio.
– Seu doido. Vai pegar um resfriado desse jeito. - disse ela.
– Creio que não. - afirmou o menino.
– Falei com a Bruna. Pensei muito naquela conversa que tivemos e acabei pedindo desculpas. Nunca me imaginei fazendo algo assim. - tirou seu cachecol e o ajeitou no pescoço de Thiago - Pronto, assim você não fica doente.
– Meu sistema não possui tal função. Na verdade, ele tem apresentado defeitos ultimamente.
– Defeitos? Sistema? Queria entender o que você quer dizer com isso. Ai, deu frio agora.
– Eu irei aquecê-la. - Thiago segurou Kamila contra seu corpo.
– Você é...bem quente. - encostou a cabeça no peito dele.
– Interessante.
– O quê?
– É a segunda pessoa que eu vejo ficar vermelha hoje.
– Ah...É impressão sua! Bom, eu vou para casa.
– Não quer que eu te carregue?
– Não precisa. Tchau!
Thiago observou Kamila saindo do local, enquanto passava os dedos no cachecol. “Talvez seja essa a origem dos defeitos” - pensava ele. Pegou sua mochila e também saiu.
– Você não é nada sua trouxa! - falou uma delas.
– O que acontece aqui? - Thiago interrompeu o abuso.
– Estamos mostrando o lugar dela.
– Lugar? Não compreendo.
– Ela deve aprender a não ficar no nosso caminho.
– E por que ela deveria?
– Ora seu... Se você não fosse tão gato...Vamos meninas.
Bruna pegou os óculos e colocou-os.
– Você está bem? - perguntou o garoto.
– Ah...sim. - respondeu ela.
– Não se machucou? - recolhia os livros espalhados.
– Não...Obrigada por me ajudar.
– De nada. - ofereceu a mão para levantá-la. Timidamente, aceitou a ajuda e ficou em pé.
– Sua mão é macia...quer dizer...obrigada, de novo. - envergonhada, abaixou a cabeça levemente. O menino passou a mão na sua face.
– Seu rosto ficou vermelho de repente. Tem certeza de que está bem?
– Si..Sim! - a menina, mais encabulada ainda, abraçou forte os objetos. O sinal tocou. - Ah...Melhor irmos para a sala.
– Afirmativo.
Entraram na classe. Kamila, sentada em sua carteira, fitava Bruna com raiva ao vê-la acompanhada do servo. Thiago se sentou.
– O que você fazia junto daquela CDF? - interrogou Kamila.
– Nenhuma atividade suspeita foi executada. Apenas a ajudei. - respondeu o robô.
– Sei... É só eu dar as costas que você vai atrás dela né? Seu tarado imprestável.
– Isso é irrelevante levando em conta que, de acordo com você, não tenho significado.
– Bem...Eu... - a menina calou-se.
– Eu encontrei suas amigas importunando a Bruna. Gostaria de entender porque.
– Aquela nerd...
– Ela fez algo ruim para você?
– Não.
– Então por que fazer aquilo?
Kamila refletiu sobre seus atos. Quase não prestou atenção nas aulas. No intervalo, conversou com suas amigas e foi ver Bruna. Essa sentava num banco, lendo um livro de Química.
– Posso falar com você?
– Tudo bem. - respondeu, fechando o livro.
– Eu...Me desculpe por como eu tenho te tratado. Nós não iremos te incomodar mais.
– Certo. Obrigada. - a jovem sentiu-se aliviada.
– E mais uma coisa...- Kamila apontou determinada para Bruna - Eu não vou perder para você!
Na saída, viu que Thiago a aguardava. Estranhava ele estar sem blusa desde cedo naquele frio.
– Seu doido. Vai pegar um resfriado desse jeito. - disse ela.
– Creio que não. - afirmou o menino.
– Falei com a Bruna. Pensei muito naquela conversa que tivemos e acabei pedindo desculpas. Nunca me imaginei fazendo algo assim. - tirou seu cachecol e o ajeitou no pescoço de Thiago - Pronto, assim você não fica doente.
– Meu sistema não possui tal função. Na verdade, ele tem apresentado defeitos ultimamente.
– Defeitos? Sistema? Queria entender o que você quer dizer com isso. Ai, deu frio agora.
– Eu irei aquecê-la. - Thiago segurou Kamila contra seu corpo.
– Você é...bem quente. - encostou a cabeça no peito dele.
– Interessante.
– O quê?
– É a segunda pessoa que eu vejo ficar vermelha hoje.
– Ah...É impressão sua! Bom, eu vou para casa.
– Não quer que eu te carregue?
– Não precisa. Tchau!
Thiago observou Kamila saindo do local, enquanto passava os dedos no cachecol. “Talvez seja essa a origem dos defeitos” - pensava ele. Pegou sua mochila e também saiu.
sábado, 16 de abril de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #2
Thiago estava na estação do metrô. Quem passava, olhava assustado aquele indivíduo completamente imóvel e inexpressivo. Uma garota se aproxima.
– Já aqui? - dizia Kamila - Pensei que chegaria primeiro. Que horas você chegou?
– 11 horas.
– Bem...eu sei que a gente combinou de nos encontrarmos nesse horário, mas não precisava aparecer exatamente às 11.
– Não compreendo.
– Ai, não começa com as suas bobeiras. Vamos logo.
Entraram e pegaram o transporte.
– Veículo interessante. - falou ele.
– O trem? Nunca andou em um?
– Não consta nos registros.
– Meu Deus! O que você faz o dia todo?
– Nenhuma atividade é executada.
– Aff...que vida hein. Acho que estou te levando para o caminho certo. Você está saindo, com uma linda garota ainda por cima. Dois coelhos numa cajadada.
– Nenhum leporídeo foi detectado na área do vagão.
– Leporídeo?!
No centro da cidade, Kamila conduziu o menino por todo o caminho, puxando-o pela mão.
– É aqui. - disse ela, parando na frente de um fast-food.
– Por que nos dirigimos até este local?
– Entre de uma vez! - a menina o empurrou. Enquanto ele fazia os pedidos, ela esperou numa das mesas, próxima da entrada. De repente, aparece Paulo e sua suposta namorada. - Fala!
– Você...- disse ele - O que faz aqui?
– Nada. Só dando um passeio com o meu namorado, sabe?
– Sei. Eu também vim passear com a minha. Ela é legal, diferente de certas pessoas.
– Adoro o meu. Bem melhor que um ex aí que eu tive.
– Ah, você é uma idiota mesmo hein!
– Idiota é você!
Ao voltar com os lanches, Thiago encontrou os dois brigando. A moça que acompanhava Paulo parecia assustada. Uma garota baixa, de óculos e cabelos castanhos .Observava aquela situação sem saber o que fazer.
– Eu vou embora! - Paulo saiu, nervoso.
– Volte! Você não me escapa! - Kamila seguiu-o.
Abandonada pelo acompanhante a menina ficou desolada. Ela olhava para Thiago, mas logo virava o rosto, encabulada. Tomou coragem e perguntou:
– Nós...não deveríamos ir atrás deles?
– Meus cálculos indicam que retornarão.
– Puxa...você é bastante inteligente. Quer dizer...eu... - a moça perdia a fala na timidez.
– Eles vão demorar. É recomendável que comamos. Seria um desperdício deixar a comida e sair.
– Bem...então...vamos comer.
A menina comia lentamente. Ele seguia seus movimentos, aprendendo como ingerir o sanduíche.
– Eu sou Bruna. - apresentou-se ela.
– Prazer em conhecê-la.
– Eh...o que você viu nela?
– Como?
– A Kamila...por que namora ela?
– Informação indisponível.
– Não sabe? Eu também não sei por que estou com o Paulo. Ele me levou, simplesmente.
– E por que você foi com ele?
– Eu...jamais fiquei tão perto de um garoto. Nunca beijei ou tive um namorado. Ele me atraiu facilmente. Não acredito que ele goste de mim, porém prefiro ficar com ele do que sozinha de novo.
– Estou confuso. Nesse caso não seria melhor andar com alguém que lhe dê mais valor?
– Talvez...
Kamila e Paulo voltaram para o lugar irritados. Cada um pegou seu par e saiu. De volta ao metrô, a moça olhava nervosa para Thiago.
– Não fez nada com ela durante minha ausência, né? - perguntou ela.
– Nós comemos e conversamos.
– Hum...bom mesmo! Não perdoaria uma traição. Não é que eu me importe, eu só...tanto faz tá bom! - a garota tentava disfarçar. No fundo ela se importava, embora não entendesse o motivo. Ela apenas o usava, ele não passava de uma peça importante no seu plano contra Paulo. Por que se importaria? Será possível que... - Não pode ser! Impossível!
– Há algo errado?
– Ora...não te interessa!
Desceram na estação.
– Bom...a gente se vê. - despedia-se ela.
– Tchau.
Começaram a se afastarem um do outro. Kamila sentiu uma coisa, Precisava se certificar de que era verdade. Correu para o garoto e o abraçou.
– Me abrace. - ordenou a moça.
Thiago rapidamente obedeceu.
– Pode me soltar agora. E lembre-se, você não tem valor algum para mim! Seu verme!
– Entendido.
Aquela sensação ao ser abraçada por ele. Por mais que negasse, era o que acontecia. E indo para casa, havia um único pensamento na mente de Kamila: “Me apaixonei...”
– Já aqui? - dizia Kamila - Pensei que chegaria primeiro. Que horas você chegou?
– 11 horas.
– Bem...eu sei que a gente combinou de nos encontrarmos nesse horário, mas não precisava aparecer exatamente às 11.
– Não compreendo.
– Ai, não começa com as suas bobeiras. Vamos logo.
Entraram e pegaram o transporte.
– Veículo interessante. - falou ele.
– O trem? Nunca andou em um?
– Não consta nos registros.
– Meu Deus! O que você faz o dia todo?
– Nenhuma atividade é executada.
– Aff...que vida hein. Acho que estou te levando para o caminho certo. Você está saindo, com uma linda garota ainda por cima. Dois coelhos numa cajadada.
– Nenhum leporídeo foi detectado na área do vagão.
– Leporídeo?!
No centro da cidade, Kamila conduziu o menino por todo o caminho, puxando-o pela mão.
– É aqui. - disse ela, parando na frente de um fast-food.
– Por que nos dirigimos até este local?
– Entre de uma vez! - a menina o empurrou. Enquanto ele fazia os pedidos, ela esperou numa das mesas, próxima da entrada. De repente, aparece Paulo e sua suposta namorada. - Fala!
– Você...- disse ele - O que faz aqui?
– Nada. Só dando um passeio com o meu namorado, sabe?
– Sei. Eu também vim passear com a minha. Ela é legal, diferente de certas pessoas.
– Adoro o meu. Bem melhor que um ex aí que eu tive.
– Ah, você é uma idiota mesmo hein!
– Idiota é você!
Ao voltar com os lanches, Thiago encontrou os dois brigando. A moça que acompanhava Paulo parecia assustada. Uma garota baixa, de óculos e cabelos castanhos .Observava aquela situação sem saber o que fazer.
– Eu vou embora! - Paulo saiu, nervoso.
– Volte! Você não me escapa! - Kamila seguiu-o.
Abandonada pelo acompanhante a menina ficou desolada. Ela olhava para Thiago, mas logo virava o rosto, encabulada. Tomou coragem e perguntou:
– Nós...não deveríamos ir atrás deles?
– Meus cálculos indicam que retornarão.
– Puxa...você é bastante inteligente. Quer dizer...eu... - a moça perdia a fala na timidez.
– Eles vão demorar. É recomendável que comamos. Seria um desperdício deixar a comida e sair.
– Bem...então...vamos comer.
A menina comia lentamente. Ele seguia seus movimentos, aprendendo como ingerir o sanduíche.
– Eu sou Bruna. - apresentou-se ela.
– Prazer em conhecê-la.
– Eh...o que você viu nela?
– Como?
– A Kamila...por que namora ela?
– Informação indisponível.
– Não sabe? Eu também não sei por que estou com o Paulo. Ele me levou, simplesmente.
– E por que você foi com ele?
– Eu...jamais fiquei tão perto de um garoto. Nunca beijei ou tive um namorado. Ele me atraiu facilmente. Não acredito que ele goste de mim, porém prefiro ficar com ele do que sozinha de novo.
– Estou confuso. Nesse caso não seria melhor andar com alguém que lhe dê mais valor?
– Talvez...
Kamila e Paulo voltaram para o lugar irritados. Cada um pegou seu par e saiu. De volta ao metrô, a moça olhava nervosa para Thiago.
– Não fez nada com ela durante minha ausência, né? - perguntou ela.
– Nós comemos e conversamos.
– Hum...bom mesmo! Não perdoaria uma traição. Não é que eu me importe, eu só...tanto faz tá bom! - a garota tentava disfarçar. No fundo ela se importava, embora não entendesse o motivo. Ela apenas o usava, ele não passava de uma peça importante no seu plano contra Paulo. Por que se importaria? Será possível que... - Não pode ser! Impossível!
– Há algo errado?
– Ora...não te interessa!
Desceram na estação.
– Bom...a gente se vê. - despedia-se ela.
– Tchau.
Começaram a se afastarem um do outro. Kamila sentiu uma coisa, Precisava se certificar de que era verdade. Correu para o garoto e o abraçou.
– Me abrace. - ordenou a moça.
Thiago rapidamente obedeceu.
– Pode me soltar agora. E lembre-se, você não tem valor algum para mim! Seu verme!
– Entendido.
Aquela sensação ao ser abraçada por ele. Por mais que negasse, era o que acontecia. E indo para casa, havia um único pensamento na mente de Kamila: “Me apaixonei...”
sexta-feira, 1 de abril de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #1
Estudantes espalhados, conversando e rindo. Então todos os olhos se viraram para a garota que acabava de chegar. Num andar imponente, ignorando os observadores, Kamila, a menina mais popular do Colégio, passou pelos alunos e se juntou a suas amigas.
– Bom dia! - cumprimentou-as com beijos no rosto.
– Conseguiu alguém ontem? - perguntou uma delas.
– Não. Os garotos daqui são uns bobos e feios. Impossível achar alguém no nível do Paulo.
– É bom achar logo se fazer ciúmes nele.
– Eu sei. Acredita? O maldito disse que terminou comigo porque enjoou de mim. Idiota. Ainda estamos em Abril. Ele verá uma coisa.
Deu o sinal e foram para a sala. Kamila ajeitava o cabelo, ignorando a explicação do professor. Ouvem-se batidas na porta. Um garoto entra, pedindo licença. As alunas ficaram boquiabertas com a beleza dele. Trocou umas palavras com o homem.
– Atenção classe. Este é Thiago. Ele foi transferido para cá.
– Oi.
Apesar da fala breve e a expressão séria, as garotas derreteram com o comentário, tirando Kamila, distraída maquiando-se. Sentou-se justamente atrás dela. Nas primeiras aulas ele se mostrou extremamente inteligente, sem errar uma questão feita à ele. Completamente ereto, ficava calado e não apresentava emoções ou qualquer reação. Fazia as lições silenciosamente. Durante o intervalo, estava encostado na parede do corredor. Um grupo de meninas o espionava do outro lado. Para a surpresa delas, alguém se aproxima dele.
– Escuta aqui, - Kamila o encurralou - eu não sei qual é o seu joguinho, mas comigo não funciona.
Ele continuou quieto, olhando fixamente os olhos da moça.
– Você é um lixo! Nada comparado a mim.
Sem resposta.
– Qual é o seu problema hein?
– Procurando...
– Ahn?!
– Nenhum defeito foi encontrado no sistema.
– Aff, seu tapado. - Quando ia deixá-lo, lembrou de seu plano. Embora fosse estranho, o menino era realmente atraente. Cabelo ruivo e bagunçado. Olhos verdes. Alto , com uma pele lisa e clara. Perfeito para realizar suas pretensões. A garota abraçou-o, esfregando-se em seu corpo. - Você é bem gato sabia? Que acha de ficar comigo?
Após um longo momento, respondeu:
– Características insuficientes para definir-me como felino.
– Ai...- não desistiu - Eu acredito que quem cala, consente. Sendo assim, quer ser meu namorado?
– Informação indisponível.
– Levarei isso como um sim. Muito bem! - apontou o dedo para o rosto do garoto - A partir de hoje somos um casal. Não ouse me trair. - Segurou sua mão e o levou para o pátio. - Me carregue nos seus braços.
– Motivos insuficientes para executar a tarefa.
– Cala a boca e me pega logo!
O ruivo agarrou a menina e a ergueu. Ela jogava seus enrolados cabelos no rosto do escravo, procurando humilhá-lo. Não houve reação dele. Boatos imediatamente surgiram sobre os dois estarem juntos, como Kamila planejava. Ordenou que a levasse de volta para a sala. O olhar irritado que Paulo enviava para Thiago da última fileira fazia a menina sentir-se vitoriosa. Ela queria mais. Puxou o moço e deu um beijo em sua boca.
– Thiago, na sala não! - ela disse alto.
– Thiago! - gritou a professora - Não tolero essa atitude nas minhas aulas. Diretoria, agora!
– Afirmativo. - respondeu a vítima. Levantou e saiu.
Kamila achou que ficaria feliz, porém, sem saber porque, se sentiu triste com o ato. Na saída, Thiago a viu sentada próxima da entrada, e por razões desconhecidas de sua programação, foi até ela.
– Desculpe ter te causado problemas. - a estudante fitava o chão, arrependida.
– Já lhe informei que não foram localizados danos no sistema.
– Não levou uma suspensão nem nada?
– “Suspensão” não consta nos registros.
– Advertência?
– Não consta nos registros.
– Que bom. E você me perdoa?
– Informação indisponível.
– Aah, você e suas “informações indisponíveis”. - ela subia nas costas dele.
– Por que toma tal procedimento?
– Ora, para você me carregar. É meu namorado, esqueceu? E como punição por não me perdoar, me levará para casa. Satisfeito?
– Informação indisponível.
– Ai, me leva logo de uma vez!
– Bom dia! - cumprimentou-as com beijos no rosto.
– Conseguiu alguém ontem? - perguntou uma delas.
– Não. Os garotos daqui são uns bobos e feios. Impossível achar alguém no nível do Paulo.
– É bom achar logo se fazer ciúmes nele.
– Eu sei. Acredita? O maldito disse que terminou comigo porque enjoou de mim. Idiota. Ainda estamos em Abril. Ele verá uma coisa.
Deu o sinal e foram para a sala. Kamila ajeitava o cabelo, ignorando a explicação do professor. Ouvem-se batidas na porta. Um garoto entra, pedindo licença. As alunas ficaram boquiabertas com a beleza dele. Trocou umas palavras com o homem.
– Atenção classe. Este é Thiago. Ele foi transferido para cá.
– Oi.
Apesar da fala breve e a expressão séria, as garotas derreteram com o comentário, tirando Kamila, distraída maquiando-se. Sentou-se justamente atrás dela. Nas primeiras aulas ele se mostrou extremamente inteligente, sem errar uma questão feita à ele. Completamente ereto, ficava calado e não apresentava emoções ou qualquer reação. Fazia as lições silenciosamente. Durante o intervalo, estava encostado na parede do corredor. Um grupo de meninas o espionava do outro lado. Para a surpresa delas, alguém se aproxima dele.
– Escuta aqui, - Kamila o encurralou - eu não sei qual é o seu joguinho, mas comigo não funciona.
Ele continuou quieto, olhando fixamente os olhos da moça.
– Você é um lixo! Nada comparado a mim.
Sem resposta.
– Qual é o seu problema hein?
– Procurando...
– Ahn?!
– Nenhum defeito foi encontrado no sistema.
– Aff, seu tapado. - Quando ia deixá-lo, lembrou de seu plano. Embora fosse estranho, o menino era realmente atraente. Cabelo ruivo e bagunçado. Olhos verdes. Alto , com uma pele lisa e clara. Perfeito para realizar suas pretensões. A garota abraçou-o, esfregando-se em seu corpo. - Você é bem gato sabia? Que acha de ficar comigo?
Após um longo momento, respondeu:
– Características insuficientes para definir-me como felino.
– Ai...- não desistiu - Eu acredito que quem cala, consente. Sendo assim, quer ser meu namorado?
– Informação indisponível.
– Levarei isso como um sim. Muito bem! - apontou o dedo para o rosto do garoto - A partir de hoje somos um casal. Não ouse me trair. - Segurou sua mão e o levou para o pátio. - Me carregue nos seus braços.
– Motivos insuficientes para executar a tarefa.
– Cala a boca e me pega logo!
O ruivo agarrou a menina e a ergueu. Ela jogava seus enrolados cabelos no rosto do escravo, procurando humilhá-lo. Não houve reação dele. Boatos imediatamente surgiram sobre os dois estarem juntos, como Kamila planejava. Ordenou que a levasse de volta para a sala. O olhar irritado que Paulo enviava para Thiago da última fileira fazia a menina sentir-se vitoriosa. Ela queria mais. Puxou o moço e deu um beijo em sua boca.
– Thiago, na sala não! - ela disse alto.
– Thiago! - gritou a professora - Não tolero essa atitude nas minhas aulas. Diretoria, agora!
– Afirmativo. - respondeu a vítima. Levantou e saiu.
Kamila achou que ficaria feliz, porém, sem saber porque, se sentiu triste com o ato. Na saída, Thiago a viu sentada próxima da entrada, e por razões desconhecidas de sua programação, foi até ela.
– Desculpe ter te causado problemas. - a estudante fitava o chão, arrependida.
– Já lhe informei que não foram localizados danos no sistema.
– Não levou uma suspensão nem nada?
– “Suspensão” não consta nos registros.
– Advertência?
– Não consta nos registros.
– Que bom. E você me perdoa?
– Informação indisponível.
– Aah, você e suas “informações indisponíveis”. - ela subia nas costas dele.
– Por que toma tal procedimento?
– Ora, para você me carregar. É meu namorado, esqueceu? E como punição por não me perdoar, me levará para casa. Satisfeito?
– Informação indisponível.
– Ai, me leva logo de uma vez!
domingo, 30 de janeiro de 2011
Uma Família
A mãe cortava os vegetais concentrada. Sua filha assistia curiosa, sentada na cadeira com as pernas penduradas. Ajeitou sua boneca na mesa para que assistisse junto dela.
– Queria saber porque ele tem que fazer aquilo logo hoje. - reclamava a mulher - Não podia deixar para o fim de semana? Michele, vá chamar seu pai. O jantar ficará pronto em breve.
Cuidadosa, a garota descia as escadas, dirigindo-se ao porão. Balançava o brinquedo, cantando alegremente. A porta estava fechada. A criança era baixa demais para alcançar a maçaneta. Nem sua amiga conseguiu resolver o problema. Ouvia-se gemidos abafados vindos do outro lado. Bateu na porta. Ela abriu.
– Oi meu anjo. - dizia o pai.
– A mamãe falou que daqui a pouco servirá o jantar. - informou a menina.
– Certo. Eu já estou terminando aqui.
Entrando, viu um homem preso numa maca, com um pano amarrado entre os dentes. O pai pegou um facão e decapitou-o. Guardou a faca e foi se lavar. A garota olhava o morto sangrando.
– Papai, porque sai suco das pessoas? - perguntava a pequena, inocente.
– Eu não sei. - disse ele - As pessoas são assim querida.
– E porque você faz isso com elas?
– Para me distrair. Me entreter.
– Então é assim que você brinca?
– Isso mesmo queridinha. - deu uma curta risada.
– Aaah! Eu queria brincar com o papai! - iniciou um choro e esperneou.
– Calma filhinha. Eu prometo que da próxima vez te trago e brincamos juntos.
– Promete? - enxugava os olhos.
– Sim. Vamos subir agora. - Colocou-a nos ombros e foi para a cozinha.
Os pratos estavam servidos. Assentaram-se e começaram a comer. A menina fatiava seu bife. Gemia baixo, fingindo serem gritos de sua vítima dentre os legumes.
– Queria saber porque ele tem que fazer aquilo logo hoje. - reclamava a mulher - Não podia deixar para o fim de semana? Michele, vá chamar seu pai. O jantar ficará pronto em breve.
Cuidadosa, a garota descia as escadas, dirigindo-se ao porão. Balançava o brinquedo, cantando alegremente. A porta estava fechada. A criança era baixa demais para alcançar a maçaneta. Nem sua amiga conseguiu resolver o problema. Ouvia-se gemidos abafados vindos do outro lado. Bateu na porta. Ela abriu.
– Oi meu anjo. - dizia o pai.
– A mamãe falou que daqui a pouco servirá o jantar. - informou a menina.
– Certo. Eu já estou terminando aqui.
Entrando, viu um homem preso numa maca, com um pano amarrado entre os dentes. O pai pegou um facão e decapitou-o. Guardou a faca e foi se lavar. A garota olhava o morto sangrando.
– Papai, porque sai suco das pessoas? - perguntava a pequena, inocente.
– Eu não sei. - disse ele - As pessoas são assim querida.
– E porque você faz isso com elas?
– Para me distrair. Me entreter.
– Então é assim que você brinca?
– Isso mesmo queridinha. - deu uma curta risada.
– Aaah! Eu queria brincar com o papai! - iniciou um choro e esperneou.
– Calma filhinha. Eu prometo que da próxima vez te trago e brincamos juntos.
– Promete? - enxugava os olhos.
– Sim. Vamos subir agora. - Colocou-a nos ombros e foi para a cozinha.
Os pratos estavam servidos. Assentaram-se e começaram a comer. A menina fatiava seu bife. Gemia baixo, fingindo serem gritos de sua vítima dentre os legumes.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Costumes
– Já faz um bom tempo, né? - lembrava ela.
– Pois é. - concordava ele - Parece que foi ontem que nos conhecemos.
– É mesmo. Eu sempre rio quando recordo.
– Eu também. Só de pensar em você encostada naquela árvore, pensativa. Depois eu, fingindo querer uma informação, apenas para poder conversar contigo.
– Achei aquilo muito besta. Acabei gostando de você.
– Ao menos valeu a tentativa.
– Com certeza.
– Desde então, apesar de sabermos que esse momento chegaria, aproveitamos cada dia de nossa união.
– Passou tão rápido. Agora a hora chegou.
– Eu sei. As vezes eu queria que não chegasse. Continuar com você. Ver meus filhos nascerem e cuidar deles.
– Querendo ou não, devemos fazê-lo. Nossa espécie faz isso há gerações. É uma tradição. Você sabe.
– O importante é que meu amor por você não mudará.
– Nem o meu.
– Pode contar para eles sobre mim?
– Claro que conto. Prometo. Nem precisava pedir. Vamos? - ela perguntou com uma feição triste.
– Sim.
Após acasalarem, a Dona Aranha matou seu marido.
– Pois é. - concordava ele - Parece que foi ontem que nos conhecemos.
– É mesmo. Eu sempre rio quando recordo.
– Eu também. Só de pensar em você encostada naquela árvore, pensativa. Depois eu, fingindo querer uma informação, apenas para poder conversar contigo.
– Achei aquilo muito besta. Acabei gostando de você.
– Ao menos valeu a tentativa.
– Com certeza.
– Desde então, apesar de sabermos que esse momento chegaria, aproveitamos cada dia de nossa união.
– Passou tão rápido. Agora a hora chegou.
– Eu sei. As vezes eu queria que não chegasse. Continuar com você. Ver meus filhos nascerem e cuidar deles.
– Querendo ou não, devemos fazê-lo. Nossa espécie faz isso há gerações. É uma tradição. Você sabe.
– O importante é que meu amor por você não mudará.
– Nem o meu.
– Pode contar para eles sobre mim?
– Claro que conto. Prometo. Nem precisava pedir. Vamos? - ela perguntou com uma feição triste.
– Sim.
Após acasalarem, a Dona Aranha matou seu marido.
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