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domingo, 9 de janeiro de 2011

Nascimento

Os demônios queriam criar um novo ser. Algo tão inteligente como eles. Após várias tentativas, por razões desconhecidas, ele surgiu. Em aparência, era diferente. Mas apresentava sentimentos, capacidade de aprender e se adaptar. As análises feitas também mostraram que a nova criatura era fêmea. Curiosos, usaram seu sangue e tentaram fazer um macho. Num novo ritual, conseguiram. Os alquimistas estavam admirados com a descoberta. Chamaram a nova espécie de “humana”. Em uma questão de tempo, ensinaram todo o seu saber as crias. Conviveram anos juntos. E a nova espécie procriou. Então, um dia, se revoltaram. Sentiam-se controlados. Usados. Fizeram uma rebelião. Muitos demônios morreram. Os poucos que restaram esconderam-se no subterrâneo, com medo, enquanto observaram sua criação desenvolver-se e fazer suas próprias descobertas em um mundo ainda desconhecido.

domingo, 17 de outubro de 2010

Início

Havia duas irmãs: Morte e Vida. Realmente se amavam. Adoravam conversar. Era a única coisa que faziam.

– Estou farta de papear! - reclamou Vida por um momento.

– E ... o que sugere? - perguntou Morte, assustada com a reação dela.

– Eu vou lá saber!

Morte agachou-se no vazio pensativa. Vida andava em ziguezague impacientemente. Quando resolveu irritar a irmã, notou que ela segurava algo. Uma esfera.

– O que é essa coisa? Como fez isso? Serve para que? - Vida não parava de indagar com curiosidade.

– Eu não sei! - respondeu Morte, irritada - Eu só imaginei e apareceu.

– Parece tão sem graça.

– Deixe suas críticas para depois. Verei o que posso fazer com isso.

– Desculpe. Vou ficar assistindo quietinha. - Vida ria inocentemente.

– Assim espero.

Morte pensou mais e logo o globo se cobriu de um líquido azul.

– Terminou agora? - dizia Vida, ansiosa.

– Quando estiver pronto, avisarei. Você não ia ficar em silêncio?

– Opa! É verdade...

Morte continuou. Criou extensões de terras em vária partes do objeto. Encheu-o de inúmeras formas de vida. Estava terminado. Vida tomou-o das mãos da irmã.

– Cuidado! - advertiu Morte.

– Fique calma. Só quero brincar um pouco com ele.

Deixou-a se divertir e foi descansar. Passado algum tempo, ela foi checar como os dois estavam. A criação estava diferente. Agora era repleta de construções de concreto. Uma única espécie dominou quase que o objeto inteiro. Notou que faltava uma boa parte dos demais seres que criou. Também percebeu que todos amavam profundamente sua irmã, enquanto ela era detestada. Ninguém a desejava por perto.

– Quer brincar agora? - oferecia Vida.

– Não ... pode ficar com ele.
Morte virou-se e caminhou de cabeça baixa para o outro lado do universo. Vida continuou observando o brinquedo.