– Como assim, estou falando com ele? - Antônio ainda não compreendia a situação.
– É exatamente o que ouviu. - afirmava Júlia - Eu matei os dois.
– Não pode ser. Sem chance! Por que você os mataria?
– Eu tenho os meus motivos.
– Que motivos? - o detetive aumentava seu tom de voz.
– Vingança. - a assassina pegou a partitura no piano e levantou do assento. - Como já sabe, Pedro e eu estudamos juntos naquela escola por um bom tempo. Durante esses anos, ele me fez de um objeto de divertimento. Toda hora me ridicularizando na frente dos colegas e professores. Não tive um só amigo naquela época por causa dele. Odiava ele, mas nunca tive coragem de atacá-lo. O garoto me infernizou até o final dos meus estudos. Saindo da escola, me senti aliviada. Pensei que não o veria novamente, e que ele não alcançaria nada na vida com seu jeito grosseiro.
– Até descobrir que ele se tornou um médico.
– Exato. Não poderia perdoá-lo por me torturar e tornar-se um doutor tão renomado. Porém, não bastaria queimá-lo e ir embora. Precisava causar uma dor enorme nele. Matar seu filho era a melhor maneira de fazê-lo sofrer. Resolvi entrar para a polícia. Me transformar numa investigadora. Ninguém suspeitaria de mim se fizesse parte da investigação do crime que eu mesma cometi. Só não contava com uma coisa.
– O que?
– Me apaixonar por você.
– Por que está me contando tudo isso? - lágrimas escorriam no rosto de Antônio.
– Por que eu te amo. E por mais que tentasse, não aguentava esconder isso de você. Sabia que me procuraria se eu sumisse. Então deixei o corpo e o bilhete no meu apartamento, para te atrair e contar toda a verdade.
– Eu não acredito! Como pôde? E quer que eu aceite numa boa, é?
– Bem que eu gostaria. Contudo, conhecendo seu apego pela justiça, provavelmente não. - Júlia também passou a chorar. Largou a partitura e sacou um revólver. Apontou para a própria cabeça.
– O que vai fazer? Não faça isso Júlia!
– Eu sempre sonhei em morrer incendiada. Vejo que não será mais possível. - engatilhou a arma.
– Pare!
– Amo você. - e atirou.
– Eu...também. - Antônio caiu de joelhos, amargurado.
Os policiais passaram no apartamento da detetive e acharam o bilhete. Seguiram o endereço marcado e chegaram no teatro. Não encontraram os investigadores lá dentro. Antônio se retirou antes de aparecerem. Levou a amada para a casa dele. Nos fundos, colocou-a sobre uma mesa. Pegou uma garrafa e derramou seu conteúdo na mulher. Acendeu um fósforo e o jogou nela. Chorando, observou o fogo consumi-la.
– Como você sempre sonhou.
Ei, isso não foi triste demais?
ResponderExcluirEnfim, o que a mente da pessoa não guarda? ainda mais por anos, logo depois de descobrirem q se amavam, já era tarde....
ResponderExcluirNossa, que tétrico, zenti...
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