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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O amante

Chegou cansada do trabalho. Tirou os sapatos, abriu a geladeira e pegou uma garrafa d’água. Deu uma golada e colocou-a no lugar. Foi ao banheiro. Apoiada na pia, observou a expressão exausta da mulher do outro lado do espelho. Virou-se para o chuveiro. Arrancou as roupas e entrou. Lá dentro estava ele, a esperando.
Conduzida pela parceira, esfregou-se no corpo dela. Apalpou seus seios. Desceu até o umbigo, massageando a barriga. Passou para trás e escorregou pelas suas coxas até os pés, beijando-os. Terminado o banho, ela o pegou e guardou de volta na saboneteira.

domingo, 29 de agosto de 2010

A morte do pão francês

Era de manhã. Edmond acordou no meio de outros pães. Estavam todos presos em algum tipo de prisão de papel. Ele conseguia ouvir alguns ruídos vindos de fora. Alguém provavelmente estava do outro lado. Na confusão, uma abertura surgiu, e uma mão apareceu. Os prisioneiros ficaram desesperados. A mão se aproximou e pegou Edmond. Estava assustado. Pediu por ajuda. Mas os pães demonstraram apenas uma expressão de alívio. Entrou em desespero. Foi colocado no chão. Parecia ser de porcelana. A mão saiu e logo voltou com uma serra. Então outra mão apareceu e segurou Edmond contra o solo. Ele olhava para a lâmina assustado. A que estava com a arma se aproximou e começou a serra-lo ao meio. Gritava. A dor era indescritível. Estava quase pela metade. A mão parou de cortá-lo. Ainda estava consciente. Por poucos segundos, Edmond sentiu-se bem. A mão largou a lâmina e passou a arrancar as entranhas dele. Agonizante, ele se perguntava porque aquilo estava acontecendo. Qual era o sentido de toda aquela tortura. Já arrancadas, a mão colocou as entranhas longe de Edmond. Agora enfiava pedaços de carne no lugar. Ele não ligava mais. Não havia solução. As mão juntaram as duas metades e levantaram ele no ar. Olhou para frente. Via uma boca. Cheia de dentes fortes e afiados. Seria facilmente esmagado por eles. Edmond fechou os olhos e se entregou ao seu terrível fim.

domingo, 4 de julho de 2010

Rotina

Um dia você visita sua tia e, dentre as fotos da parede, observa a imagem de seus bisavôs. Passado isso, segue com sua vida:Estuda, se forma, trabalha, constitui família, até se encontrar estampado em um pedaço de papel, dentro de um porta retrato, sendo observado pelo bisneto na casa da tia dele.

sábado, 19 de junho de 2010

Futuro

Não é mais um planeta de homens. Eles não existem agora. Foram extintos. Não completamente. Ainda há vestígios de sua presença. São máquinas que ficaram em seu lugar. Criaturas robóticas. Umas extremamente inteligentes. Outras, nem tanto. Porém, todas compartilham o mesmo modo de vida, se é que isso é viver.
Aparentemente são idênticos aos humanos: feitos de carne e osso. Trabalham; convivem com uma família; possuem amigos e sentimentos. Entretanto, não pensam. Não refletem. Agem impulsivamente. Vivem em frente de seus televisores, imóveis, enquanto engordam e esquecem sua história. Sua cultura. Perdem o amor à pátria.
Só nos resta torcer para que as pessoas nunca desapareçam, e aumentem principalmente, repopulando a Terra.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mendigo

Ele vaga há um bom tempo. Rasteja pela calçada. Fareja algum lixo jogado no chão. Que diferença faz? Ninguém liga mesmo. Deita-se. Seres passam por ele. Ignoram-no. Se não, olham com algum espanto e certo enojamento; ou observam-no com alguma pena, mas não ajudam. Já se acostumou. De vez em quando é até ameaçado. Acidenta-se pelo caminho. Está tão machucado, porém, tornou-se comum a ele. Atravessa a rua. Mais deles. As mesmas reações. Encontra alguém que partilha de seu sofrimento. Faz um amigo. Ainda que momentâneo. Não pode parar agora. Tem fome e não encontrou comida. Melhor procurar outro entulho. Encontra-o. Dessa vez tem sorte. A comida é horrível. Melhor que morrer de fome. Após o pequeno banquete, sai com um osso na boca e balançando alegremente a calda. Quem dera tivesse um afago...

domingo, 16 de maio de 2010

A peça chamada VIDA

A peça possui muitos atos. Para cada atuante, um papel. No começo você está completamente perdido. Ainda não entende muito do que se trata a apresentação, afinal, acabou de entrar nela; mas, aos poucos, começa a entender.
Depois de um tempo, ao estudar bastante o seu papel, já entende mais a peça, e percebe a importância de sua participação. Porém, você não sabe exatamente o que fazer. Só lhe resta por o seu figurino e improvisar, enquanto a apresentação prossegue. Afinal, o show deve continuar.
Um bom tempo após, você já está quase completando sua parte. Trabalhou bem, ou não. Pode ter esquecido umas falas durante a peça, mas nada que uma boa reação, e a ajuda dos amigos que fez nela, não tenha resolvido. A peça não acabou, nem se sabe quando acabará; entretanto, você participou muito bem. E que venha o próximo ato...

sábado, 15 de maio de 2010

Exemplo de um "patriota"

"Constantemente vivo em uma sociedade à beira da ruína: pessoas morando nas ruas; criminalidade; impostos altos demais. Ora! Quem mais seria culpado por estas atrocidades? O governo é claro!!!
Graças a eles sou obrigado a me deparar com algum mendigo por aí, e após uma suplicante petição de dinheiro, nego e vou embora. Como eu poderia ajudá-lo? Tenho que cuidar da minha vida!!! Minha casa tem cara de abrigo por acaso? Eu não sou responsável por sua miséria. Devo sustentar família. Os políticos que deviam ajudar!
E esses drogados...soltos por toda a cidade. Culpa desses safados também! Eu não tenho a obrigação, e muito menos tempo, de ensinar o meu filho a não usar essas porcarias. Ele já deve saber muito bem o que é certo e errado! Eu não preciso estar ao lado dele o tempo todo. Ele provavelmente já sabe se virar.
O nosso país é uma droga, tudo graças aos malditos! Eles que estragaram tudo!!! Por isso que eu prefiro os Estados Unidos. Lá tudo é melhor! Não gosto nem de saber da história deste Brasil. Para quê? Não vai mudar nada mesmo. E eu estou muito ocupado para isso. Eu tenho mais o que fazer!!!" - um suposto cidadão