Bianca estava em uma das salas. Apesar da TV ligada, apresentando seu programa favorito, ela olhava confusa para uma folha de papel.
– Se não vai assistir, desligue. - recomendou Cláudia.
– Ah...Oi. - disse a menina, desanimada.
– Nossa. Que aconteceu?
Bia mostrou o desenho para a mulher.
– Olha só que perfeito. Quem fez?
– Bárbara.
– Talentosa. Então ela conversou com você.
– Um pouco. De repente ela saiu e deixou o caderno. Também fiquei surpresa. Achei que foi de propósito deixá-lo. Fui procurá-la e a encontrei chorando no corredor. Ela gritou comigo, correu e se trancou no quarto.
– E não me chamou?
– Pois é. Mesmo na hora em que conversávamos ela parecia nervosa e um tanto triste.
– Bom diaaaaa! - Sofia surpreendeu as duas aparecendo com uma toalha amarrada como uma capa e um balde na cabeça, segurando uma colher de pau.
– Por que está vestida assim? - perguntou a mulher.
– Eu sou uma super-heroína. Love raaaaaaaay!
Cláudia vira para Bia, olhando-a seriamente.
– Você é uma péssima influência.
– Não posso fazer nada se ela brinca como eu.
– Claro. Ô heroína? Depois do café se arrume. Vamos sair.
– Tá. - ajeitou o capacete e se dirigiu à cozinha.
– Onde vão?
– Um psiquiatra. Levando em consideração os problemas dela, seria bom procurar por uma solução.
– Verdade.
Mais tarde, se encontraram com o doutor. Cláudia explicou a situação para ele. Conversou com Sofia e pediu que voltassem durante a noite.
– Sente-se, por favor. - dizia o homem.
– Eu tenho mesmo que participar dessa porra? - indagava Bárbara.
– Sim.
– Bom...Eu não tenho escolha mesmo. Diga velho.
– Quando você começou a apagar durante o dia?
– Eu tinha 10 anos. Bem depois de...minha irmãzinha morrer.
– Como ela morreu?
– Sabe, meus pais eram uns vadios. Meu pai bebia e agredia minha mãe. De raiva, ela batia em mim. Apesar disso, eu e Maria eramos unidas. Vivia para protegê-la.
– Maria? Esse era o nome dela?
– Sim. Um dia meu pai chegou louco em casa e matou minha mãe na surra. Então ele pegou uma faca e se aproximou da minha irmã. Tentei impedi-lo, mas ele me derrubou e esfaqueou Maria. Furei o olho dele com um garfo, tomei a faca dele e o esfaqueei. - seus olhos lacrimejavam - Ela caída, espalhando o sangue no piso. Desesperada, pegava o seu sangue e colocava nas feridas, achando que cicatrizariam e ela voltaria milagrosamente. Fiquei lá, chorando, abraçando-a até estar quase amanhecendo. Não queria ver a luz do dia. Nunca mais.
– Quantos anos ela tinha?
– 6 aninhos. Adorava brincar. Correr. Ficava feliz por qualquer motivo. O meu maior desejo é ter ela de volta. Vê-la sorrir novamente. Era meu trabalho protegê-la, e eu falhei.
– Entendo. Isso é tudo, obrigado. Pode chamar a sua amiga, por favor?
– Amiga? Certo.
Cláudia entrou na sala. O doutor começou a falar:
– O trauma da morte de sua irmã é a causa. Ela se responsabiliza bastante pelo acontecido.
– Mas por que acontece? Não entendo.
– As vezes um trauma é tão forte que mexe com a cabeça de uma pessoa. No caso dela, seu desejo pela irmã e de não presenciar o dia levou seu inconsciente a criar uma réplica da menina para prevalecer durante o dia, e só pela noite voltaria ao normal. Foi um meio que sua mente arrumou para, digamos assim, manter Maria “viva”. Ela vai se recuperar somente se a culpa desaparecer.
– Obrigada por ajudar.
Ao retornarem, Bárbara foi direto para o quarto. Cláudia falou com Bianca sobre a situação. A criança resolveu ver a garota. Bateu três vezes na porta e entrou. A moça encolhia-se sobre a cama. Em volta, diferentes desenhos de uma garotinha de cabelos negros.
– Bárbara...
– O que você quer? - ela virou suas costas para a loira.
– A Cláudia falou comigo. A Maria...
– Não fale dela! Eu... - a morena foi surpreendida ao ser abraçada por trás.
– Eu sei que te magôo por lembrar ela. Não gosto de te ver assim. Você não precisa passar por isso sozinha. Portanto, por favor, embora eu não possa substituí-la, me deixe ser sua irmã agora.
Bárbara agarrou a cabeça da menina e a acariciou.
– Obrigada. - a moça, comovida, beijou levemente a testa da criança - Deixo sim.
A menina, alegre com a reação, segurou-a e apoiou sua cabeça no peito da amiga, sorrindo. Conversaram bastante. Bia terminou por dormir nos braços da companheira, que preferiu ficar parada para não acordá-la.
Resultado da postagem "Divulgando:Billy":
ResponderExcluirNunca vi alguém demorar tanto pra criar um Blog (e ainda passei um mini tutorial pra ele...). Ok, finalmente, o Walther Wasque criou um blog para mostrar as suas tirinhas. Estou apenas repassando o link para os que se interessaram. (Não reparem na aparência do blog, ele ainda é noob nessas coisas...). É isso. Se curtir,siga (sempre é bom apoiar quem está começando) ^^:
http://walther-wasque.blogspot.com/
O__O
ResponderExcluirFelipe isso tá ficando um pouco confuso. Só quero ver até onde isso vai...
hauhauhahauha se esta ficando confuso eu não sei, eu sei q a historia ta tomando um rumo onde descobriremos a origem de tudo!!!! Abração!!
ResponderExcluirhueheuheuehuhe
ResponderExcluirbom....pra mim faz sentido...mas tudo bem
brigadin suzi ;D
Continuo gostando =)
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