Havia duas irmãs: Morte e Vida. Realmente se amavam. Adoravam conversar. Era a única coisa que faziam.
– Estou farta de papear! - reclamou Vida por um momento.
– E ... o que sugere? - perguntou Morte, assustada com a reação dela.
– Eu vou lá saber!
Morte agachou-se no vazio pensativa. Vida andava em ziguezague impacientemente. Quando resolveu irritar a irmã, notou que ela segurava algo. Uma esfera.
– O que é essa coisa? Como fez isso? Serve para que? - Vida não parava de indagar com curiosidade.
– Eu não sei! - respondeu Morte, irritada - Eu só imaginei e apareceu.
– Parece tão sem graça.
– Deixe suas críticas para depois. Verei o que posso fazer com isso.
– Desculpe. Vou ficar assistindo quietinha. - Vida ria inocentemente.
– Assim espero.
Morte pensou mais e logo o globo se cobriu de um líquido azul.
– Terminou agora? - dizia Vida, ansiosa.
– Quando estiver pronto, avisarei. Você não ia ficar em silêncio?
– Opa! É verdade...
Morte continuou. Criou extensões de terras em vária partes do objeto. Encheu-o de inúmeras formas de vida. Estava terminado. Vida tomou-o das mãos da irmã.
– Cuidado! - advertiu Morte.
– Fique calma. Só quero brincar um pouco com ele.
Deixou-a se divertir e foi descansar. Passado algum tempo, ela foi checar como os dois estavam. A criação estava diferente. Agora era repleta de construções de concreto. Uma única espécie dominou quase que o objeto inteiro. Notou que faltava uma boa parte dos demais seres que criou. Também percebeu que todos amavam profundamente sua irmã, enquanto ela era detestada. Ninguém a desejava por perto.
– Quer brincar agora? - oferecia Vida.
– Não ... pode ficar com ele.
Morte virou-se e caminhou de cabeça baixa para o outro lado do universo. Vida continuou observando o brinquedo.
Mais uma vez os vilões não são vilões. Texto interessante.
ResponderExcluirQue mágico esse texto *-* Adorei. Fiquei até com medo. hahaha
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