quinta-feira, 7 de julho de 2011

CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #8

Apoiado numa escrivaninha, analisava uma foto. Ainda se lembrava de cada detalhe daquele momento congelado no tempo. Ele, abraçado a Renata, acabava de pedi-la em casamento. Ela, com a ajuda do parceiro, terminava de construir Thiago. Melancólico, passava a mão nos cabelos grisalhos. Sobre a mesa, a máscara o fitava, mostrando suas dores e deveres estampadas na face avermelhada do demônio. Tirou o sobretudo, trocando-o por uma capa violeta, encapuzando-se.

– Você não vai para a Terra de novo, vai? - indagou uma aparição aquática em forma de mulher.

– Vou. Algum problema? - dizia o homem.

– Claro que sim! Acha que ir todo dia para aquela dimensão irá trazê-la de volta? Por que não fica aqui comigo? Podemos nos divertir um pouco. - a dama d’água acariciava o peitoral do sujeito.

– Agradeço sua boa vontade, Undine, mas é o que eu quero fazer por hora. - afastou as mãos dela.

– Pois bem. Estarei aguardando, meu amado mestre. - o espírito desapareceu.

Ignorando a espada e seu segundo rosto, Anônimo transportou-se para a Terra. Era noite. As ruas, pouco movimentadas. Saltando de prédio em prédio, foi até uma biblioteca. Sentou-se a beira do edifício. Observava a lua, recordando como ele a noiva costumavam visitar aquele mundo, cheio de maravilhas e surpresas. Ouviu um grito. Num beco do outro lado da rua, notou um tumulto. Uma moça em uma fantasia de couro apertada era abordada por um grupo de arruaceiros. Rodeando-a, os meninos a empurravam de um lado para o outro. Um dos membors notou a figura encapuzada emergindo na outra calçada.

– Perdeu alguma coisa amigo? - ameaçou o marginal, tentando o rosto do indivíduo. O mesmo não respondia. A vítima, desorientada, caiu no chão - Se pretende fazer alguma besteira, pode esquecer. Somos cinco contra um.

O homem continuou em silêncio. Um dos bandidos se aproximou dele e tentou empurrá-lo. Anônimo desviou, derrubando o garoto com um golpe. Após o ataque, todos os meninos partiram para cima dele. Um deles tentou esfaqueá-lo. O encapado desarmou-o e lançou a faca em outro oponente, enquanto nocauteava o primeiro. Entre murros e chutes, Anônimo derrotou os adversários. Um deles, afastado da briga, apontava uma arma para a garota.

– Afaste-se de mim seu louco! - gritava ele.

Anônimo fitou os olhos do garoto. Esse sentiu uma forte dor de cabeça, tendo alucinações. Assustado, disparou a arma e desmaiou. A bala acertou o homem. A moça tentava encontrar os óculos perdidos na escuridão. Anônimo pegou-os e os colocou na menina, que voltou a enxergar.

– Que...quem é você? - falou ela, espantada com a aparência sombria do justiceiro.

Sem responder, ofereceu a mão para ajudá-la. Ela ficou em pé, ajeitando os cabelos castanhos.

– Obrigada... seja lá quem você for. Eu sou Bruna, prazer - esticou o braço para cumprimentá-lo. Ele não se moveu.

– Você não deveria andar assim a essa hora da noite. - advertiu ele.

– Eu sei...Tudo aconteceu tão rápido. Numa hora realizo um dos meus desejos, na outra, sou abordada num beco. Que noite cheia, hein? - falava ela, ainda surpresa em beijar Thiago.

Anônimo cambaleou repentinamente, segurando o tórax.

– O senhor está bem?

– Sim. Não se preocupe comigo.

– Olha! Está sangrando. Vou chamar uma ambulância.

– Não. Sem ambulância.

– Mas você precisa de ajuda!

– Eu apenas preciso tirar a bala.

– Então... vamos para a minha casa. Ela não fica muito longe daqui. - a garota colocou o braço do homem nos ombros e o ajudou na caminhada.

Chegando em uma residência mediana, Bruna deitou o ferido no sofá e tirou sua roupa. Trouxe antibióticos e ataduras. Anônimo pediu uma faca. Agonizando, ele tirou a bala. A pequena enfermeira atou as faixas e fez um curativo. Deu alguns medicamentos para o paciente.

– Obrigado. - agradeceu ele, levantando-se.

– Por nada. Não vai descansar um pouco?

– Já me sinto melhor. E seus pais não gostariam de encontrar um estranho na casa deles.

– Eles viajaram.

– E não se importa de ficar sozinha nessa casa?

– Tudo bem. Estou acostumada. Eles sempre saem por causa do trabalho. É normal.

– E se alguma coisa acontecesse? - terminava de vestir suas roupas.

– Bem... - a moça não soube responder.

Passando os dedos na barba, o homem preocupou-se com a situação de Bruna. Do bolso da camisa, tirou um colar com um pequeno cristal rosado. Anônimo fez um gesto e disse algumas palavras em língua desconhecida.

– Posso? - disse ele, abrindo a peça.

– Ah...sim. - a nerd elevou os cabelos. O misterioso pôs o colar na jovem.

– Indiferente do que acontecer, nunca tire isso. Ele te protegerá de qualquer ameaça. Se precisar de mim, basta pensar que apareço sem falta.

– Certo... - confusa, aceitou o presente de bom grado - Eu não sei seu nome.

– Não precisa saber.

– Preciso sim. Você sabe o meu. Diga o seu agora.

– É...Danilo. - disse, colocando o capuz, receoso em revelar sua identidade.

– Mais uma vez, obrigada, Danilo.

O homem se dirigiu ao banheiro.

– Quando te verei de novo? - perguntou Bruna.

– Em breve. - Anônimo fechou a porta.

– Em breve quando? - ao abrir o sanitário, ele não se encontrava. Perdida com o repentino sumisso de seu salvador, Bruna sentou encostada na parece do box, admirando a misteriosa jóia que recebera.

De volta a base, Danilo tornou a observar a foto dele e de renata. Atento a imagem da amada, conversava com o objeto:

– Hoje conheci uma garota. Uma boa menina. Ela cuidou de mim. Lembra um pouco você na nossa época de escola. Queria que a conhecesse. Se não tivesse aparecido no momento certo, ela estaria morta. Infelizmente não pude fazer o mesmo por você. Por isso eu tenho que virar um deus. Assim lhe trarei de volta a vida, e juntos criaremos um novo universo. Um onde pessoas como Bruna não sofram mais. Não haverá injustiças, fome ou miséria. Quem se opor a nós, será eliminado. O DPI irá pagar por tirarem você de mim. Aguarde meu amor, logo nos uniremos para sempre.

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