Atado numa cadeira, Antônio acordou num quarto minúsculo. A cama ao lado, completamente suja, enojava o detetive. O piso estava umedecido, congelando seus pés descalços. Um cheiro forte o desorientava. Um ruído o atordoou por um momento e uma voz começou a falar.
– Antônio Marcos de Oliveira. Detetive do departamento de polícia da nossa capital. Bem vindo. Eu sou o Dr. Mohamed Nunes, diretor deste maravilhoso estabelecimento particular. Quem diria, hein? Você deve ser muito bom para descobrir a origem dos restos.
– Restos? - tonto, o investigador se esforçava para responder.]
– Os corpos que encontrou, detetive. O parabenizo pela sua astucia. Ou sorte. Infelizmente, seria uma lastima se nos impedisse. Ainda assim, por curiosidade, estudei o seu passado. Descobri que há três anos atrás participou da investigação de um piromaníaco, que custou a morte de sua namoradinha. Após isso, você entrou em depressão.
– Como sabe disso tudo?
– Isso não importa. O que interessa agora é que você está ruim, e como médico, é meu dever tratá-lo. Começando agora mesmo. E durante o tratamento gostaria de fazer alguns testes. Enfermeira Laura, por favor, dirija-se ao quarto 318.
Antônio notou usar não a sua roupa costumeira, mas um avental hospitalar. Uma loira, com cicatrizes nos braços e pernas, entrou na cela.
– Olá. Eu sou a Laura. - disse ela, abrindo um grande e alegre sorrizo - Eu mesma troquei sua roupa, sabia? Você até que é gostosinho.
A mulher subiu no colo do homem, encostando um bisturi no peito dele. Ela então encravou a lâmina em sua própria coxa e abriu uma ferida.
– Ah! Isso! - a enfermeira urrava de dor e prazer. Passou a mão no fluido vermelho que escorria, esfregando-o na boca de Antônio - Beba. É tão bom. Vamos fazer juntos. Sim!
– Enfermeira, pare de brincadeiras e trabalhe! - advertiu a voz do doutor.
– Aah... - decepcionada, inseriu uma seringa num frasco e sugou seu conteúdo - Hora do remédio, seu menino levado.
– O que está me dando? - perguntou ele, enquanto levava a injeção.
– Apenas algo para abrir sua mente.
A visão do policial ficou embaçada. Sentiu a mulher o soltando da cadeira. A voz ecoada de Mohamed o alcançou:
– Não se preocupe, sua visão voltará em alguns segundos. Vá para o quarto 140. Use o elevador. Não tente fugir, as portas estão trancadas, e estarei vigiando pelas câmeras do prédio. Se quiser bater um papo, espalhei escutas por todo o terreno. Estarei ao seu dispor.
Recuperando sua visão, Antônio iniciou sua jornada ao elevador. Algumas macas enferrujadas atrapalhavam seu caminho. Checou as portas, e realmente estavam trancadas. Nos corredores, viu várias linguas pregadas numa das paredes encardidas. Exalavam um odor terrível da decomposição, com moscas saltitando de uma em uma. Acima da carne podre, um aviso escrito em sangue:
“SILÊNCIO DENTRO DO HOSPITAL”
quinta-feira, 28 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
Internado - parte 1
Sugiro para não se perderem http://felipeintruso.blogspot.com/2011/01/incendio-parte-1.html
Ruas imersas na escuridão. As lâmpadas dos postes piscavam freneticamente. Aquele teatro. Parecia familiar. Dos corredores, via uma luz provindo dos interiores, acompanhada de uma melodia. Passando silenciosamente pelas poltronas, alcançou o palco. Os corpos de um senhor e um garoto, pendurados nas cortinas, se contorciam com os olhos virados. Uma mulher de cabelos curtos tocava um piano flamejante. Sentiu ter ouvido aquela música antes. A pianista parou, virando-se. Levantou e aproximopu-se do expectador.
– Você veio. - a mulher o abraçou emocionada - Eu te amo tanto.
De repente, a face da moça tornou-se em carne viva, acordando o homem do pesadelo. Antônio, de bruços na escrivaninha de seu escritório, coçou os olhos e enxugou o suor da testa. Tentando manter-se acordado, analisava documentos de vítimas recentes. Procurou o remédio nas gavetas. Nada. Aqueles pesadelos. Terapias, medicamentos e ainda assim as visões continuavam. Doutor Pedro e seu filho, Roberto, cremados. Júlia suicidando-se com um tiro. O fogo. Cenas que se repetiam na mente do detetive. Pioravam a cada dia. Alguém entrou.
– Como vai a investigação, Antônio? - perguntou o chefe de polícia.
– Todas as vítimas foram encontradas com orgãos faltando, mostrando que o assassino é possivelmente o mesmo. Porém, a área de ação dele é muito extensa. Estamos empacados.
– Entendo. - o velho notou a feição triste do amigo - Olha, por que você não vai para casa descansar?
– Preciso não. - disse foliando os arquivos.
– Não foi um pedido. Eu sei que não é fácil perder alguém. Só que já fazem três anos, Antônio. Você precisa superar isso. Deve lutar e aceitar o que aconteceu.
– Quem me dera... - fechou tudo e guardou, lembrando da verdade que ele escondia sobre a falecida amada - Estou indo. Boa Noite.
– Boa.
A chuva comprometia a visão do homem. Cansado, ele dirigia vagarosamente, olhando ao redor do veículo. O que é pior afinal? Perder a amada, ou descobrir que era uma assassina? Chegando, encontrou um mendigo na entrada do edifício.
– Senhor Antônio? - perguntou o indivíduo.
– Sim. Como sabe meu nome?
– Os corpos. Sei de onde eles vem.
– Corpos? Os sem orgãos?
– Sim. Toda noite uma van deixa-os nas ruas.
– Uma van.
– Sim.
– E por que não avisou a polícia antes?
– Não me deixaram entrar. Então te segui até descobrir onde morava.
– Sei. È isso?
– Não. Tem um nome escrito na van. Centro Hospitalar Abarão Porciano Clife.
– Um hospital? Estranho... Obrigado pela informação. Gostaria de entrar? Comer algo?
– Não. Prédios me assustam. - o sujeito saiu aos murmúrios.
Antônio pesquisou sobre o local. Ficava distante da cidade, num campo fechado. O terreno cobria vários hectares, contornado por uma vasta floresta. Era caríssimo e exclusivo, tendo pouca popularidade. No dia seguinte, o detetive se dirigiu ao centro médico. Os portões principais estavam escancarados. Interfonou, sem receber resposta. Invadiu com o carro. Atravessando diferentes jardins, alcançou a mansão. Estatuas de bestas e pessoas desnudas davam boas vindas ao investigador. Uma recepção vazia o recebeu. Papeis espalhados. Espirros de sangue pelas paredes. Estaria abandonado? Decidiu vasculhar. Ao dar o primeiro passo, sentiu um golpe e desmaiou.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #8
Apoiado numa escrivaninha, analisava uma foto. Ainda se lembrava de cada detalhe daquele momento congelado no tempo. Ele, abraçado a Renata, acabava de pedi-la em casamento. Ela, com a ajuda do parceiro, terminava de construir Thiago. Melancólico, passava a mão nos cabelos grisalhos. Sobre a mesa, a máscara o fitava, mostrando suas dores e deveres estampadas na face avermelhada do demônio. Tirou o sobretudo, trocando-o por uma capa violeta, encapuzando-se.
– Você não vai para a Terra de novo, vai? - indagou uma aparição aquática em forma de mulher.
– Vou. Algum problema? - dizia o homem.
– Claro que sim! Acha que ir todo dia para aquela dimensão irá trazê-la de volta? Por que não fica aqui comigo? Podemos nos divertir um pouco. - a dama d’água acariciava o peitoral do sujeito.
– Agradeço sua boa vontade, Undine, mas é o que eu quero fazer por hora. - afastou as mãos dela.
– Pois bem. Estarei aguardando, meu amado mestre. - o espírito desapareceu.
Ignorando a espada e seu segundo rosto, Anônimo transportou-se para a Terra. Era noite. As ruas, pouco movimentadas. Saltando de prédio em prédio, foi até uma biblioteca. Sentou-se a beira do edifício. Observava a lua, recordando como ele a noiva costumavam visitar aquele mundo, cheio de maravilhas e surpresas. Ouviu um grito. Num beco do outro lado da rua, notou um tumulto. Uma moça em uma fantasia de couro apertada era abordada por um grupo de arruaceiros. Rodeando-a, os meninos a empurravam de um lado para o outro. Um dos membors notou a figura encapuzada emergindo na outra calçada.
– Perdeu alguma coisa amigo? - ameaçou o marginal, tentando o rosto do indivíduo. O mesmo não respondia. A vítima, desorientada, caiu no chão - Se pretende fazer alguma besteira, pode esquecer. Somos cinco contra um.
O homem continuou em silêncio. Um dos bandidos se aproximou dele e tentou empurrá-lo. Anônimo desviou, derrubando o garoto com um golpe. Após o ataque, todos os meninos partiram para cima dele. Um deles tentou esfaqueá-lo. O encapado desarmou-o e lançou a faca em outro oponente, enquanto nocauteava o primeiro. Entre murros e chutes, Anônimo derrotou os adversários. Um deles, afastado da briga, apontava uma arma para a garota.
– Afaste-se de mim seu louco! - gritava ele.
Anônimo fitou os olhos do garoto. Esse sentiu uma forte dor de cabeça, tendo alucinações. Assustado, disparou a arma e desmaiou. A bala acertou o homem. A moça tentava encontrar os óculos perdidos na escuridão. Anônimo pegou-os e os colocou na menina, que voltou a enxergar.
– Que...quem é você? - falou ela, espantada com a aparência sombria do justiceiro.
Sem responder, ofereceu a mão para ajudá-la. Ela ficou em pé, ajeitando os cabelos castanhos.
– Obrigada... seja lá quem você for. Eu sou Bruna, prazer - esticou o braço para cumprimentá-lo. Ele não se moveu.
– Você não deveria andar assim a essa hora da noite. - advertiu ele.
– Eu sei...Tudo aconteceu tão rápido. Numa hora realizo um dos meus desejos, na outra, sou abordada num beco. Que noite cheia, hein? - falava ela, ainda surpresa em beijar Thiago.
Anônimo cambaleou repentinamente, segurando o tórax.
– O senhor está bem?
– Sim. Não se preocupe comigo.
– Olha! Está sangrando. Vou chamar uma ambulância.
– Não. Sem ambulância.
– Mas você precisa de ajuda!
– Eu apenas preciso tirar a bala.
– Então... vamos para a minha casa. Ela não fica muito longe daqui. - a garota colocou o braço do homem nos ombros e o ajudou na caminhada.
Chegando em uma residência mediana, Bruna deitou o ferido no sofá e tirou sua roupa. Trouxe antibióticos e ataduras. Anônimo pediu uma faca. Agonizando, ele tirou a bala. A pequena enfermeira atou as faixas e fez um curativo. Deu alguns medicamentos para o paciente.
– Obrigado. - agradeceu ele, levantando-se.
– Por nada. Não vai descansar um pouco?
– Já me sinto melhor. E seus pais não gostariam de encontrar um estranho na casa deles.
– Eles viajaram.
– E não se importa de ficar sozinha nessa casa?
– Tudo bem. Estou acostumada. Eles sempre saem por causa do trabalho. É normal.
– E se alguma coisa acontecesse? - terminava de vestir suas roupas.
– Bem... - a moça não soube responder.
Passando os dedos na barba, o homem preocupou-se com a situação de Bruna. Do bolso da camisa, tirou um colar com um pequeno cristal rosado. Anônimo fez um gesto e disse algumas palavras em língua desconhecida.
– Posso? - disse ele, abrindo a peça.
– Ah...sim. - a nerd elevou os cabelos. O misterioso pôs o colar na jovem.
– Indiferente do que acontecer, nunca tire isso. Ele te protegerá de qualquer ameaça. Se precisar de mim, basta pensar que apareço sem falta.
– Certo... - confusa, aceitou o presente de bom grado - Eu não sei seu nome.
– Não precisa saber.
– Preciso sim. Você sabe o meu. Diga o seu agora.
– É...Danilo. - disse, colocando o capuz, receoso em revelar sua identidade.
– Mais uma vez, obrigada, Danilo.
O homem se dirigiu ao banheiro.
– Quando te verei de novo? - perguntou Bruna.
– Em breve. - Anônimo fechou a porta.
– Em breve quando? - ao abrir o sanitário, ele não se encontrava. Perdida com o repentino sumisso de seu salvador, Bruna sentou encostada na parece do box, admirando a misteriosa jóia que recebera.
De volta a base, Danilo tornou a observar a foto dele e de renata. Atento a imagem da amada, conversava com o objeto:
– Hoje conheci uma garota. Uma boa menina. Ela cuidou de mim. Lembra um pouco você na nossa época de escola. Queria que a conhecesse. Se não tivesse aparecido no momento certo, ela estaria morta. Infelizmente não pude fazer o mesmo por você. Por isso eu tenho que virar um deus. Assim lhe trarei de volta a vida, e juntos criaremos um novo universo. Um onde pessoas como Bruna não sofram mais. Não haverá injustiças, fome ou miséria. Quem se opor a nós, será eliminado. O DPI irá pagar por tirarem você de mim. Aguarde meu amor, logo nos uniremos para sempre.
– Você não vai para a Terra de novo, vai? - indagou uma aparição aquática em forma de mulher.
– Vou. Algum problema? - dizia o homem.
– Claro que sim! Acha que ir todo dia para aquela dimensão irá trazê-la de volta? Por que não fica aqui comigo? Podemos nos divertir um pouco. - a dama d’água acariciava o peitoral do sujeito.
– Agradeço sua boa vontade, Undine, mas é o que eu quero fazer por hora. - afastou as mãos dela.
– Pois bem. Estarei aguardando, meu amado mestre. - o espírito desapareceu.
Ignorando a espada e seu segundo rosto, Anônimo transportou-se para a Terra. Era noite. As ruas, pouco movimentadas. Saltando de prédio em prédio, foi até uma biblioteca. Sentou-se a beira do edifício. Observava a lua, recordando como ele a noiva costumavam visitar aquele mundo, cheio de maravilhas e surpresas. Ouviu um grito. Num beco do outro lado da rua, notou um tumulto. Uma moça em uma fantasia de couro apertada era abordada por um grupo de arruaceiros. Rodeando-a, os meninos a empurravam de um lado para o outro. Um dos membors notou a figura encapuzada emergindo na outra calçada.
– Perdeu alguma coisa amigo? - ameaçou o marginal, tentando o rosto do indivíduo. O mesmo não respondia. A vítima, desorientada, caiu no chão - Se pretende fazer alguma besteira, pode esquecer. Somos cinco contra um.
O homem continuou em silêncio. Um dos bandidos se aproximou dele e tentou empurrá-lo. Anônimo desviou, derrubando o garoto com um golpe. Após o ataque, todos os meninos partiram para cima dele. Um deles tentou esfaqueá-lo. O encapado desarmou-o e lançou a faca em outro oponente, enquanto nocauteava o primeiro. Entre murros e chutes, Anônimo derrotou os adversários. Um deles, afastado da briga, apontava uma arma para a garota.
– Afaste-se de mim seu louco! - gritava ele.
Anônimo fitou os olhos do garoto. Esse sentiu uma forte dor de cabeça, tendo alucinações. Assustado, disparou a arma e desmaiou. A bala acertou o homem. A moça tentava encontrar os óculos perdidos na escuridão. Anônimo pegou-os e os colocou na menina, que voltou a enxergar.
– Que...quem é você? - falou ela, espantada com a aparência sombria do justiceiro.
Sem responder, ofereceu a mão para ajudá-la. Ela ficou em pé, ajeitando os cabelos castanhos.
– Obrigada... seja lá quem você for. Eu sou Bruna, prazer - esticou o braço para cumprimentá-lo. Ele não se moveu.
– Você não deveria andar assim a essa hora da noite. - advertiu ele.
– Eu sei...Tudo aconteceu tão rápido. Numa hora realizo um dos meus desejos, na outra, sou abordada num beco. Que noite cheia, hein? - falava ela, ainda surpresa em beijar Thiago.
Anônimo cambaleou repentinamente, segurando o tórax.
– O senhor está bem?
– Sim. Não se preocupe comigo.
– Olha! Está sangrando. Vou chamar uma ambulância.
– Não. Sem ambulância.
– Mas você precisa de ajuda!
– Eu apenas preciso tirar a bala.
– Então... vamos para a minha casa. Ela não fica muito longe daqui. - a garota colocou o braço do homem nos ombros e o ajudou na caminhada.
Chegando em uma residência mediana, Bruna deitou o ferido no sofá e tirou sua roupa. Trouxe antibióticos e ataduras. Anônimo pediu uma faca. Agonizando, ele tirou a bala. A pequena enfermeira atou as faixas e fez um curativo. Deu alguns medicamentos para o paciente.
– Obrigado. - agradeceu ele, levantando-se.
– Por nada. Não vai descansar um pouco?
– Já me sinto melhor. E seus pais não gostariam de encontrar um estranho na casa deles.
– Eles viajaram.
– E não se importa de ficar sozinha nessa casa?
– Tudo bem. Estou acostumada. Eles sempre saem por causa do trabalho. É normal.
– E se alguma coisa acontecesse? - terminava de vestir suas roupas.
– Bem... - a moça não soube responder.
Passando os dedos na barba, o homem preocupou-se com a situação de Bruna. Do bolso da camisa, tirou um colar com um pequeno cristal rosado. Anônimo fez um gesto e disse algumas palavras em língua desconhecida.
– Posso? - disse ele, abrindo a peça.
– Ah...sim. - a nerd elevou os cabelos. O misterioso pôs o colar na jovem.
– Indiferente do que acontecer, nunca tire isso. Ele te protegerá de qualquer ameaça. Se precisar de mim, basta pensar que apareço sem falta.
– Certo... - confusa, aceitou o presente de bom grado - Eu não sei seu nome.
– Não precisa saber.
– Preciso sim. Você sabe o meu. Diga o seu agora.
– É...Danilo. - disse, colocando o capuz, receoso em revelar sua identidade.
– Mais uma vez, obrigada, Danilo.
O homem se dirigiu ao banheiro.
– Quando te verei de novo? - perguntou Bruna.
– Em breve. - Anônimo fechou a porta.
– Em breve quando? - ao abrir o sanitário, ele não se encontrava. Perdida com o repentino sumisso de seu salvador, Bruna sentou encostada na parece do box, admirando a misteriosa jóia que recebera.
De volta a base, Danilo tornou a observar a foto dele e de renata. Atento a imagem da amada, conversava com o objeto:
– Hoje conheci uma garota. Uma boa menina. Ela cuidou de mim. Lembra um pouco você na nossa época de escola. Queria que a conhecesse. Se não tivesse aparecido no momento certo, ela estaria morta. Infelizmente não pude fazer o mesmo por você. Por isso eu tenho que virar um deus. Assim lhe trarei de volta a vida, e juntos criaremos um novo universo. Um onde pessoas como Bruna não sofram mais. Não haverá injustiças, fome ou miséria. Quem se opor a nós, será eliminado. O DPI irá pagar por tirarem você de mim. Aguarde meu amor, logo nos uniremos para sempre.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #7
Thiago acordou em seu apartamento. Deitava-se ao colo de Diana. Essa explicou o que sucedeu. Anônimo os mandou de volta. Retornar ao local era inconcebível. Ele os expulsaria facilmente. A dimensão toda estava sobre o controle dele, como um deus em sintonia com sua criação. A Câmara de Iluminação. Ela fixou-se na mente do robô. Aquele conjunto de blocos e luzes lhe trazia paz. Renata até parecia estar viva. Diana sugeriu que ele se arrumasse, ou se atrasariam para a festa de Paulo. Decidiram ir com seus uniformes: Thiago como oficial, de branco; Diana em sua capa escura de bruxa, encapuzada.
– Você demorou. - disse Kamila, trajada de princesa, afastando o robô da maga.
– Oi para você também. - falou a feiticeira, passando os dedos em sua franja azulada.
– Vamos Thiago.
– Mas... - o garoto olhou para Diana.
– Tudo bem. Vou comer alguma coisa. - a moça saiu em direção aos salgadinhos sobre uma mesa.
Paulo, de cavaleiro, conversava com seus colegas na cozinha.
– Que festa mais sem graça, não? - dizia Kamila ao ouvido do anfitrião.
– Vocês não foram convidados. - respondeu o menino.
– Quem disse que eu queria?
– Se não queria, por que está aqui?
– Para ver os horrores de perto. E a sua acompanhante CDF, não veio?
– Não. Mas logo ela... - Paulo calou-se ao ver a belíssima garota de cabelos castanhos e óculos que entrava na residência, numa fantasia de mulher-gato justíssima.
– Bru...Bruna?! - balbuciou Kamila.
– Eu...era a única que eu tinha. - a menina se contorcia de vergonha, tentando cobrir as partes íntimas.
– O que dizia Kamila? Veja a gloriosa beldade que me acompanha. - gabava-se Paulo, apontando as curvas da suposta namorada.
– Grande coisa! Eu sou muito melhor. - retrucava a penetra.
– O escambau! - começaram a discutir.
– Aah...de novo não. - murmurou Bruna. Notou que Thiago a olhava com atenção. - Não olhe para mim desse jeito.
– Desculpe...são os def...sentimentos. - explicou ele.
– Sentimentos?! - a garota entendeu aquilo como uma declaração.
Thiago sentiu seu corpo estranhamente mover-se sozinho. Segurou na cintura da garota.
– O que está fazendo? - o rosto dela avermelhou-se no mesmo instante.
O robô fechou os olhos e lhe deu um longo e profundo beijo. A nerd, confusa, involuntariamente segurou a cabeça do garoto contra a dela. Os outros dois pararam de brigar, observando boquiabertos a cena. Beijada, a moça despediu-se num breve “tchau” e correu. Emocionada, o coração batia acelerado. Diana aparece carregando uma cesta cheia de coxinhas e estranha as expressões pasmadas de Paulo e Kamila. Vira-se para a máquina:
– Perdi alguma coisa?
– Você demorou. - disse Kamila, trajada de princesa, afastando o robô da maga.
– Oi para você também. - falou a feiticeira, passando os dedos em sua franja azulada.
– Vamos Thiago.
– Mas... - o garoto olhou para Diana.
– Tudo bem. Vou comer alguma coisa. - a moça saiu em direção aos salgadinhos sobre uma mesa.
Paulo, de cavaleiro, conversava com seus colegas na cozinha.
– Que festa mais sem graça, não? - dizia Kamila ao ouvido do anfitrião.
– Vocês não foram convidados. - respondeu o menino.
– Quem disse que eu queria?
– Se não queria, por que está aqui?
– Para ver os horrores de perto. E a sua acompanhante CDF, não veio?
– Não. Mas logo ela... - Paulo calou-se ao ver a belíssima garota de cabelos castanhos e óculos que entrava na residência, numa fantasia de mulher-gato justíssima.
– Bru...Bruna?! - balbuciou Kamila.
– Eu...era a única que eu tinha. - a menina se contorcia de vergonha, tentando cobrir as partes íntimas.
– O que dizia Kamila? Veja a gloriosa beldade que me acompanha. - gabava-se Paulo, apontando as curvas da suposta namorada.
– Grande coisa! Eu sou muito melhor. - retrucava a penetra.
– O escambau! - começaram a discutir.
– Aah...de novo não. - murmurou Bruna. Notou que Thiago a olhava com atenção. - Não olhe para mim desse jeito.
– Desculpe...são os def...sentimentos. - explicou ele.
– Sentimentos?! - a garota entendeu aquilo como uma declaração.
Thiago sentiu seu corpo estranhamente mover-se sozinho. Segurou na cintura da garota.
– O que está fazendo? - o rosto dela avermelhou-se no mesmo instante.
O robô fechou os olhos e lhe deu um longo e profundo beijo. A nerd, confusa, involuntariamente segurou a cabeça do garoto contra a dela. Os outros dois pararam de brigar, observando boquiabertos a cena. Beijada, a moça despediu-se num breve “tchau” e correu. Emocionada, o coração batia acelerado. Diana aparece carregando uma cesta cheia de coxinhas e estranha as expressões pasmadas de Paulo e Kamila. Vira-se para a máquina:
– Perdi alguma coisa?
terça-feira, 14 de junho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #6
RP-6 terminava de recarregar suas energias. Saiu da cápsula e colocou o uniforme branco do DPI. Saindo do quarto, viu Diana observando a foto de uma mulher de jaleco na parede.
– Você deve sentir muito a falta dela, não? - disse a bruxa, virando-se para o robô.
– Ela me ajudou todo o tempo. Me sinto agradecido por ter construído a mim.
– Sente?
– Defeitos...
– Talvez esses “defeitos” existissem em você sempre. Apenas levou um tempo para aflorá-los. Esses sentimentos.
– Então, tudo não passa de uma função oculta do meu sistema?
– Pode ser. Se ela não tivesse morrido... Minha mãe também sente saudade. Eu jamais imaginei uma bruxa ter uma amizade tão forte com uma cientista. Os únicos amigos dela eram a Renata e um outro cara. O homem sumiu, restando somente sua criadora. Não sei porquê, minha mãe não gostava de falar no tal do homem que foi embora. - Diana pôs a capa e pegou a bolsa - Vamos?
– Sim.
O ruivo abriu um portal e os dois entraram. Pararam no cômodo empoeirado da última vez, quando Thiago resgatou Kamila. A maga abriu a porta lentamente e checou o corredor. Ninguém. Andaram sorrateiramente pelo edifício, procurando por pistas. De uma vidraça, encontraram o que parecia a área principal do prédio. Várias pessoas, hipnotizadas, trabalhavam na construção de uma máquina. Ao redor, guardas bem armados.
– Thiago, Olhe! - Diana apontava - É ele!
– Quem? Onde?
– O Anônimo! Bem ali. - por mais que a maga apontasse, o robô via apenas uma viga e dois seguranças.
– Não vejo ele.
– Como não? Está bem ali, entre aqueles dois guardas.
Thiago ia responder, porém percebeu não estar mais no mesmo local. Um ambiente esbranquiçado. Inúmeras caixas brancas formavam as paredes e o teto. Algumas brilhavam de cores diferentes a cada momento, formando um breve show de luzes.
– Bem vindo, RP-6. - falou uma voz.
Virando-se, o robô se deparou com um homem engravatado, num sobretudo negro, usando uma máscara demoníaca. Debaixo da capa negra, uma katana.
– Anônimo. - disse Thiago, fitando-o seriamente.
– Não se preocupe. Sua parceira está bem. Deixei uma ilusão sua e minha para distraí-la.
– Onde estou?
– Na Câmara de Iluminação. Aqui medito.
– Como encontrou esta dimensão desconhecida.
– Eu a criei. Era o único jeito de me esconder do DPI.
– Nós pensávamos que você se escondia na Terra.
– Vocês me encontrariam facilmente por lá. E mesmo criando uma dimensão nova, aqui está você, determinado a me impedir.
– Sim. Um dos seus servos tentou abusar de uma garota que eu conheço.
– Peço desculpas. Se serve de consolo, já puni meus seguidores por tais atos. Não acontecerá novamente. - o mascarado ajeitava a gravata.
Thiago tentou desferir-lhe um golpe, mas o homem rapidamente desviou e o golpeou com a bainha da espada. O garoto ficou imóvel.
– Não tente me impedir. O futuro de todos nós depende disso. E não pense que é o único a sentir falta da Renata. Agora vá. Sua amiga o aguarda. Em breve um novo deus surgirá, trazendo salvação a todos. Um deus sem nome. - Thiago sentiu sua consciência se esvaindo e apagou.
– Você deve sentir muito a falta dela, não? - disse a bruxa, virando-se para o robô.
– Ela me ajudou todo o tempo. Me sinto agradecido por ter construído a mim.
– Sente?
– Defeitos...
– Talvez esses “defeitos” existissem em você sempre. Apenas levou um tempo para aflorá-los. Esses sentimentos.
– Então, tudo não passa de uma função oculta do meu sistema?
– Pode ser. Se ela não tivesse morrido... Minha mãe também sente saudade. Eu jamais imaginei uma bruxa ter uma amizade tão forte com uma cientista. Os únicos amigos dela eram a Renata e um outro cara. O homem sumiu, restando somente sua criadora. Não sei porquê, minha mãe não gostava de falar no tal do homem que foi embora. - Diana pôs a capa e pegou a bolsa - Vamos?
– Sim.
O ruivo abriu um portal e os dois entraram. Pararam no cômodo empoeirado da última vez, quando Thiago resgatou Kamila. A maga abriu a porta lentamente e checou o corredor. Ninguém. Andaram sorrateiramente pelo edifício, procurando por pistas. De uma vidraça, encontraram o que parecia a área principal do prédio. Várias pessoas, hipnotizadas, trabalhavam na construção de uma máquina. Ao redor, guardas bem armados.
– Thiago, Olhe! - Diana apontava - É ele!
– Quem? Onde?
– O Anônimo! Bem ali. - por mais que a maga apontasse, o robô via apenas uma viga e dois seguranças.
– Não vejo ele.
– Como não? Está bem ali, entre aqueles dois guardas.
Thiago ia responder, porém percebeu não estar mais no mesmo local. Um ambiente esbranquiçado. Inúmeras caixas brancas formavam as paredes e o teto. Algumas brilhavam de cores diferentes a cada momento, formando um breve show de luzes.
– Bem vindo, RP-6. - falou uma voz.
Virando-se, o robô se deparou com um homem engravatado, num sobretudo negro, usando uma máscara demoníaca. Debaixo da capa negra, uma katana.
– Anônimo. - disse Thiago, fitando-o seriamente.
– Não se preocupe. Sua parceira está bem. Deixei uma ilusão sua e minha para distraí-la.
– Onde estou?
– Na Câmara de Iluminação. Aqui medito.
– Como encontrou esta dimensão desconhecida.
– Eu a criei. Era o único jeito de me esconder do DPI.
– Nós pensávamos que você se escondia na Terra.
– Vocês me encontrariam facilmente por lá. E mesmo criando uma dimensão nova, aqui está você, determinado a me impedir.
– Sim. Um dos seus servos tentou abusar de uma garota que eu conheço.
– Peço desculpas. Se serve de consolo, já puni meus seguidores por tais atos. Não acontecerá novamente. - o mascarado ajeitava a gravata.
Thiago tentou desferir-lhe um golpe, mas o homem rapidamente desviou e o golpeou com a bainha da espada. O garoto ficou imóvel.
– Não tente me impedir. O futuro de todos nós depende disso. E não pense que é o único a sentir falta da Renata. Agora vá. Sua amiga o aguarda. Em breve um novo deus surgirá, trazendo salvação a todos. Um deus sem nome. - Thiago sentiu sua consciência se esvaindo e apagou.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #5
Os estudantes entravam na sala e sentavam. Kamila conversava com Thiago sobre uma festa a fantasia na casa de Paulo. Bruna, duas fileiras depois, olhava o robô apaixonada, escondida atrás dum livro de literatura. A professora entrou, acompanhada de uma garota de mechas azuis.
– Silêncio, classe. - ordenou a tutora - Temos uma nova aluna.
– Olá! - disse a novata, abrindo um grande sorriso - Eu sou Diana. Espero me dar bem com todos.
– Você vai se sentar...
– Thiago! - a menina correu e abraçou forte o ruivo.
– Bem...parece que vocês se conhecem. Enfim, sente-se ao lado dele.
Diana alegremente se colocou na carteira próxima ao parceiro. Os meninos observavam-na admirados. Kamila, irritada, virou a face.
– O que faz aqui, Bruxa? - perguntava RP-6 durante o intervalo.
– Já falei para me chamar de Diana - advertiu a feiticeira.
– Sim.
– O Comandante mandou te ajudar na investigação. Lembra daquele sujeito que você prendeu? Ele sequestrou mais de 300 pessoas naquele mesmo dia. Infelizmente não informou o paradeiro das vítimas. Sabemos ao menos que ele tem uma relação com o Anônimo. Preocupados, me enviaram para esta dimensão. E aqui estou eu.
– Entendo. Quando enfrentei aquele infrator, percebi que estava em um plano desconhecido, fora desse e do nosso mundo.
– Aí complica. De que forma vamos encontrar o Anônimo se ele está em um local que não consta em nenhum dos dois mundos?
– Para perseguir o sequestrador, segui o rastro no espaço-tempo deixado por ele. Por precaução, armazenei as coordenadas no meu sistema.
– Boa. Assim facilita bastante.
Alguém se aproximou.
– Olá, senhorita. - disse paulo, beijando a mão da moça - Você aceitaria sair comigo?
– Não, obrigada. - respondeu ela.
– Por que não?
– Sem interesse. - segurou o braço do policial - O Thiago é meu único homem.
– Ah, ele de novo?! - o garoto saiu indignado.
Após as aulas, Kamila fez outra visita ao amigo. Chegando lá, foi recebida por Diana, que usava apenas uma toalha.
– O que faz aqui? E qual é a dessa toalha? - questionou Kamila.
– Vocês não...estavam fazendo aquilo, certo? - falou Bruna, acompanhando a garota.
– Que é isso gente. Eu estava tomando banho. Sozinha. Amigos de infância não podem morar juntos? - a maga deu passagem e as duas entraram.
– Morar? Você vai ficar nesse apartamento com o meu namorado? - Kamila ficou mais irritada ainda.
– Eu queria morar no mesmo apartamento que ele. - a estudiosa sonhava alto.
– Namorado? Que eu saiba ele é mais um escravo seu. - bateu no quarto de Thiago. O mesmo saiu, sem deixa-las ver o conteúdo do cômodo.
– Como pode deixa-la viver com você sem me avisar? - dizia Kamila.
– Ela é minha parceira. - disse ele.
– O que quer dizer com “parceira”?
– Gente...fiquem calmos, por favor. - recomendava Bruna.
– Quer saber, eu vou embora! - Kamila deixou-os, batendo os pés.
– De...Desculpe. - a nerd seguiu os passos da colega lentamente e fechou a porta.
– Ai ai...- suspirou a maga - Aquelas duas são realmente apaixonadas por você. Quem diria, hein? Isso me faz lembrar dos meus 100 anos de idade. Bons tempos. Você também se recorda, não é? Foi quando nos conhecemos.
– Sim. - afirmou Thiago.
– Eu era só uma criança ingênua. Você, pelo contrário, sempre foi o mesmo. Apesar de que...parece ter mudado ao vir para cá.
– Eu tenho passado por algumas falhas.
– Ah...falando nos velhos tempos, trouxe algo para você. - de uma sacola, tirou um uniforme de oficial branco. No chapéu e no distintivo encontravam-se as siglas “D.P.I.”
– Meu antigo uniforme... - segurou a roupa.
– Você fez 500 anos esses dias, e eu não sabia o que dar, então trouxe isso. Ouvi dizer que existem muitos problemas nesse mundo. Acho que deveríamos ajudar. Proteger os habitantes daqui, embora o DPI não se importe com o futuro desse planeta.
– Certamente... - o robô olhava profundamente a vestimenta - Obrigado.
– Algo errado?
– Não...Desculpe. São os defeitos.
– Eu gosto desses defeitos. - Diana abraçou-o por trás - Talvez assim eu finalmente tenha alguma chance.
– Chance do que exatamente?
– Ah...nada de mais.
– Silêncio, classe. - ordenou a tutora - Temos uma nova aluna.
– Olá! - disse a novata, abrindo um grande sorriso - Eu sou Diana. Espero me dar bem com todos.
– Você vai se sentar...
– Thiago! - a menina correu e abraçou forte o ruivo.
– Bem...parece que vocês se conhecem. Enfim, sente-se ao lado dele.
Diana alegremente se colocou na carteira próxima ao parceiro. Os meninos observavam-na admirados. Kamila, irritada, virou a face.
– O que faz aqui, Bruxa? - perguntava RP-6 durante o intervalo.
– Já falei para me chamar de Diana - advertiu a feiticeira.
– Sim.
– O Comandante mandou te ajudar na investigação. Lembra daquele sujeito que você prendeu? Ele sequestrou mais de 300 pessoas naquele mesmo dia. Infelizmente não informou o paradeiro das vítimas. Sabemos ao menos que ele tem uma relação com o Anônimo. Preocupados, me enviaram para esta dimensão. E aqui estou eu.
– Entendo. Quando enfrentei aquele infrator, percebi que estava em um plano desconhecido, fora desse e do nosso mundo.
– Aí complica. De que forma vamos encontrar o Anônimo se ele está em um local que não consta em nenhum dos dois mundos?
– Para perseguir o sequestrador, segui o rastro no espaço-tempo deixado por ele. Por precaução, armazenei as coordenadas no meu sistema.
– Boa. Assim facilita bastante.
Alguém se aproximou.
– Olá, senhorita. - disse paulo, beijando a mão da moça - Você aceitaria sair comigo?
– Não, obrigada. - respondeu ela.
– Por que não?
– Sem interesse. - segurou o braço do policial - O Thiago é meu único homem.
– Ah, ele de novo?! - o garoto saiu indignado.
Após as aulas, Kamila fez outra visita ao amigo. Chegando lá, foi recebida por Diana, que usava apenas uma toalha.
– O que faz aqui? E qual é a dessa toalha? - questionou Kamila.
– Vocês não...estavam fazendo aquilo, certo? - falou Bruna, acompanhando a garota.
– Que é isso gente. Eu estava tomando banho. Sozinha. Amigos de infância não podem morar juntos? - a maga deu passagem e as duas entraram.
– Morar? Você vai ficar nesse apartamento com o meu namorado? - Kamila ficou mais irritada ainda.
– Eu queria morar no mesmo apartamento que ele. - a estudiosa sonhava alto.
– Namorado? Que eu saiba ele é mais um escravo seu. - bateu no quarto de Thiago. O mesmo saiu, sem deixa-las ver o conteúdo do cômodo.
– Como pode deixa-la viver com você sem me avisar? - dizia Kamila.
– Ela é minha parceira. - disse ele.
– O que quer dizer com “parceira”?
– Gente...fiquem calmos, por favor. - recomendava Bruna.
– Quer saber, eu vou embora! - Kamila deixou-os, batendo os pés.
– De...Desculpe. - a nerd seguiu os passos da colega lentamente e fechou a porta.
– Ai ai...- suspirou a maga - Aquelas duas são realmente apaixonadas por você. Quem diria, hein? Isso me faz lembrar dos meus 100 anos de idade. Bons tempos. Você também se recorda, não é? Foi quando nos conhecemos.
– Sim. - afirmou Thiago.
– Eu era só uma criança ingênua. Você, pelo contrário, sempre foi o mesmo. Apesar de que...parece ter mudado ao vir para cá.
– Eu tenho passado por algumas falhas.
– Ah...falando nos velhos tempos, trouxe algo para você. - de uma sacola, tirou um uniforme de oficial branco. No chapéu e no distintivo encontravam-se as siglas “D.P.I.”
– Meu antigo uniforme... - segurou a roupa.
– Você fez 500 anos esses dias, e eu não sabia o que dar, então trouxe isso. Ouvi dizer que existem muitos problemas nesse mundo. Acho que deveríamos ajudar. Proteger os habitantes daqui, embora o DPI não se importe com o futuro desse planeta.
– Certamente... - o robô olhava profundamente a vestimenta - Obrigado.
– Algo errado?
– Não...Desculpe. São os defeitos.
– Eu gosto desses defeitos. - Diana abraçou-o por trás - Talvez assim eu finalmente tenha alguma chance.
– Chance do que exatamente?
– Ah...nada de mais.
domingo, 22 de maio de 2011
CCN-SR: Confusões de uma Colegial e seu Namorado-Servo Robô #4
Educação física. As meninas jogavam vôlei, enquanto os garotos observavam. Kamila, sem participar da aula, sentava no canto da quadra, pensativa. Thiago faltou.
– Algo errado? - falou uma de suas amigas.
– Sinto falta dele. - disse a garota.
– Óbvio. Quem não sentiria falta de um gato daqueles?
– Não é isso. Parece chato sem ele por perto.
– Ué...Se importando agora? Pensei que servisse apenas para seus planos.
– Não diga besteiras.
– Você é quem sabe.
Kamila negava ter algum sentimento pelo menino. Porém, ela mesma percebia que gostava dele. Realmente queria vê-lo. Conversou com os professores e conseguiu o endereço do garoto. Após a escola, foi visitá-lo. Chegou em um prédio e subiu até a cobertura. Bateu na porta. Thiago a abriu. A moça entrou indiferente e sentou no sofá da enorme sala.
– Por que não apareceu hoje?
– Ocupado.
– Com o que?
– Estudando os defeitos.
– Fala sério. Para de dizer essas coisas estranhas. Idiota...Pelo menos com a CDF sei que não estava. Que apartamento grande. Você mora sozinho neste lugar?
– Sim.
– Onde estão seus pais?
– “Pais” não consta nos registros.
– Sem pais? Deve ser rico então.
– “Rico” não consta nos registros.
– Aaah! Que saco você hein! - Levantou e tentou abriar a porta próxima ao móvel. Trancada - O que tem aqui dentro?
– É onde eu recarrego.
– Seu quarto, quer dizer. Quero entrar.
– Entrada proibida.
– Por quê? Algo que não pode me mostrar? Já sei, tem um montão de revistas pornôs aí, né? Seu tarado...
– Vou no mercado comprar alimentos para nós. Aguarde.
– Tá...
Thiago não esperava a visita dela naquele momento. Ao retornar das compras, Encontrou o apartamento vazio. Apenas a bolsa que Kamila carregava se encontrava. O robô segurou-a por alguns segundos e a soltou. Encostou sua mão na parede. Um buraco luminoso surgiu. Entrou na passagem, indo parar em um cômodo empoeirado. Um homem despia a garota, desacordada sobre uma cama. O sujeito notou a presença do menino.
– Interessante. - dizia ele -Eu topei com muitas máquinas do DPI, mas nenhuma delas tinha a capacidade de atravessar as dimensões. Pena ter que te destruir. Você seria um grande objeto de estudo para nós.
– Qual o seu interesse nela?
– Nada de mais. Raptei quem eu precisava. Ela é só uma gostosinha que eu peguei para me divertir. É claro que uma lata velha não entenderia isso.
Thiago rapidamente se aproximou e tentou pegar Kamila.
– Nem pensar! - o criminoso sacou uma adaga de energia e cortou um dos braços do garoto fora. - Eu derrotei muitos da sua agência. Não pense que...
Antes que ele pudesse terminar, Thiago o desarmou com um chute e o lançou contra o chão.
– Como?! - o indivíduo não conseguiu se levantar com o choque - Como uma sucata pode se mover nessa velocidade?
– Essa informação lhe é irrelevante. - o robô tirou um pequeno cubo do bolso e o segurou na direção do homem - Em nome do Departamento de Polícia Interdimensional, você está preso.
O objeto brilhou intensamente, sugando as partículas do bandido para seu interior.
– Processo de confinamento concluído. - guardou-o e carregou a moça. Abrindo um novo portal, voltou para o apartamento.
Deitou Kamila no sofá. Uma garota encapuzada apareceu.
– Há quanto tempo. - ela tirou o capuz, mostrando suas mechas azuladas.
– Sim, Bruxa. - disse ele, erguendo o cubo - Capturei um criminoso. Pelo uniforme, provavelmente trabalha para o fugitivo.
– Entendo. - encostou o dedo indicador no objeto - O infrator foi transferido para nosso mundo com sucesso. Em breve o interrogaremos. Algo mais, RP-6?
– Meu braço esquerdo.
– Certamente. - a maga fechou os olhos e os tornou a abrir. - As peças foram enviadas ao seu quarto. Poderá usa-las na reconstrução do membro.
– Obrigado, Bruxa.
– Qual é. Nós passamos dessa fase parceiro. Você deve me chamar de Diana, lembre-se disso.
– Afirmativo.
A feiticeira ajeitou sua capa negra e desapareceu. Thiago sentou-se ao lado de Kamila, acariciando sua cabeça.
– Os defeitos...Sempre que estou perto de você...Preciso comprovar a origem deles.
– Algo errado? - falou uma de suas amigas.
– Sinto falta dele. - disse a garota.
– Óbvio. Quem não sentiria falta de um gato daqueles?
– Não é isso. Parece chato sem ele por perto.
– Ué...Se importando agora? Pensei que servisse apenas para seus planos.
– Não diga besteiras.
– Você é quem sabe.
Kamila negava ter algum sentimento pelo menino. Porém, ela mesma percebia que gostava dele. Realmente queria vê-lo. Conversou com os professores e conseguiu o endereço do garoto. Após a escola, foi visitá-lo. Chegou em um prédio e subiu até a cobertura. Bateu na porta. Thiago a abriu. A moça entrou indiferente e sentou no sofá da enorme sala.
– Por que não apareceu hoje?
– Ocupado.
– Com o que?
– Estudando os defeitos.
– Fala sério. Para de dizer essas coisas estranhas. Idiota...Pelo menos com a CDF sei que não estava. Que apartamento grande. Você mora sozinho neste lugar?
– Sim.
– Onde estão seus pais?
– “Pais” não consta nos registros.
– Sem pais? Deve ser rico então.
– “Rico” não consta nos registros.
– Aaah! Que saco você hein! - Levantou e tentou abriar a porta próxima ao móvel. Trancada - O que tem aqui dentro?
– É onde eu recarrego.
– Seu quarto, quer dizer. Quero entrar.
– Entrada proibida.
– Por quê? Algo que não pode me mostrar? Já sei, tem um montão de revistas pornôs aí, né? Seu tarado...
– Vou no mercado comprar alimentos para nós. Aguarde.
– Tá...
Thiago não esperava a visita dela naquele momento. Ao retornar das compras, Encontrou o apartamento vazio. Apenas a bolsa que Kamila carregava se encontrava. O robô segurou-a por alguns segundos e a soltou. Encostou sua mão na parede. Um buraco luminoso surgiu. Entrou na passagem, indo parar em um cômodo empoeirado. Um homem despia a garota, desacordada sobre uma cama. O sujeito notou a presença do menino.
– Interessante. - dizia ele -Eu topei com muitas máquinas do DPI, mas nenhuma delas tinha a capacidade de atravessar as dimensões. Pena ter que te destruir. Você seria um grande objeto de estudo para nós.
– Qual o seu interesse nela?
– Nada de mais. Raptei quem eu precisava. Ela é só uma gostosinha que eu peguei para me divertir. É claro que uma lata velha não entenderia isso.
Thiago rapidamente se aproximou e tentou pegar Kamila.
– Nem pensar! - o criminoso sacou uma adaga de energia e cortou um dos braços do garoto fora. - Eu derrotei muitos da sua agência. Não pense que...
Antes que ele pudesse terminar, Thiago o desarmou com um chute e o lançou contra o chão.
– Como?! - o indivíduo não conseguiu se levantar com o choque - Como uma sucata pode se mover nessa velocidade?
– Essa informação lhe é irrelevante. - o robô tirou um pequeno cubo do bolso e o segurou na direção do homem - Em nome do Departamento de Polícia Interdimensional, você está preso.
O objeto brilhou intensamente, sugando as partículas do bandido para seu interior.
– Processo de confinamento concluído. - guardou-o e carregou a moça. Abrindo um novo portal, voltou para o apartamento.
Deitou Kamila no sofá. Uma garota encapuzada apareceu.
– Há quanto tempo. - ela tirou o capuz, mostrando suas mechas azuladas.
– Sim, Bruxa. - disse ele, erguendo o cubo - Capturei um criminoso. Pelo uniforme, provavelmente trabalha para o fugitivo.
– Entendo. - encostou o dedo indicador no objeto - O infrator foi transferido para nosso mundo com sucesso. Em breve o interrogaremos. Algo mais, RP-6?
– Meu braço esquerdo.
– Certamente. - a maga fechou os olhos e os tornou a abrir. - As peças foram enviadas ao seu quarto. Poderá usa-las na reconstrução do membro.
– Obrigado, Bruxa.
– Qual é. Nós passamos dessa fase parceiro. Você deve me chamar de Diana, lembre-se disso.
– Afirmativo.
A feiticeira ajeitou sua capa negra e desapareceu. Thiago sentou-se ao lado de Kamila, acariciando sua cabeça.
– Os defeitos...Sempre que estou perto de você...Preciso comprovar a origem deles.
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